sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Memória: Reflexão: Sérgio Vieira de Mello: História

Os organizadores do Oscar anunciaram a lista dos 15 finalistas para as indicações ao Oscar de melhor documentário. "Sergio", sobre o diplomata brasileiro Sergio Vieira de Mello, está na lista. O filme, que tem direção do norte-americano Greg Barker, conta a história de Vieira de Mello. O brasileiro trabalhava no comissariado da ONU para os direitos humanos e morreu em um ataque terrorista no Iraque, em 2003. A lista inclui ainda "Food, Inc.", que analisa a indústria alimentícia, e "The Cove", sobre a captura de golfinhos no Japão.

O documentário foi exibido no Festival do Rio, e está todo estruturado no trágico 19 de agosto de 2003, quando o diplomata brasileiro morreu no atentado da Al-Qaeda, em Bagdá. Sérgio Vieira trabalhou para a ONU por 34 anos. Destacou-se por seus serviços no Camboja e Timor Leste, entre outros.

Carismático, tinha o dom da palavra e mostrava evidente satisfação com seu trabalho. Com um grande um talento diplomático não se recusava a expor com clareza, às vezes com forte contundência, suas posições. Essas, muitas vezes contrárias à da maioria. O documentarista americano Greg Barker falou sobre o fato de o diplomata ter sido vítima de sua aproximação com o governo de Bush: “O mais irônico é que Sérgio tinha mesmo essa disposição para falar com todos, desde refugiados até presidentes. E ele nunca perdeu esse ideal, mesmo quando lidava com pessoas perigosas e maldosas. Ele acreditava que era melhor se aproximar dessas figuras, pois seria o único jeito de ser ouvido e tentar mudar a situação. Mas por fazer esse jogo duplo, o que o fez cair nas graças de Bush, ele passou a ser mal visto pelos fundamentalistas islâmicos. No final, tudo o que eles viam, era a foto que Sérgio tirou ao lado de Bush.”

Samantha Power escreveu um ótimo livro sobre o trabalho de Sérgio. Melhor ainda é sua pesquisa e análise sobre a história da ONU. Sérgio, quando da sua morte, estava revendo o papel dessa instituição. Já havia declarado: “As regras do século XX não servem para as crises do século XXI”.


Quase-Ser-Tão convida à reflexão a partir de Sérgio Vieira de Mello. É um belo estímulo.

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