domingo, 6 de dezembro de 2009

AINDA TEMPO DE REFLEXÃO...

“A palavra poder significa capacidade de ação. O dicionário nos ensina que o poder reside numa ‘aptidão para executar ou produzir algo ou o direito de exercer autoridade sobre uma pessoa ou coisa’. A pessoa que detém o poder pode influenciar o meio ambiente material ou social. Em geral, o poder é respaldado por armas de última geração, pelo dinheiro, pelo petróleo, por uma inteligência superior ou músculos possantes. Na guerra, eu sou poderoso porque posso destruir as muralhas de sua cidade ou bombardear seus campos de pouso. No mundo financeiro, sou poderoso porque posso comprar suas ações e invadir seus mercados. No boxe, sou mais poderoso porque meus golpes são mais astuciosos e podem levá-lo à exaustão. Mas no amor, a questão parece depender de uma definição muito mais passiva e negativa; em vez de encarar o poder como uma capacidade de realizar algo, pode-se considerá-lo como uma capacidade de não fazer nada.”

“É através da aparência física que estamos sujeitos a uma perda surpreendente de controle sobre o modo com somos vistos. O corpo, inclusive, costuma ser pronta e naturalmente identificado como parte do ‘eu’, apesar de não refletir, sob nenhum aspecto, uma concepção mais profunda da individualidade. Embora seja apenas uma coleção de células arrumadas de acordo com os caprichos do nosso código genético, aqueles que nos conhecem não podem deixar de atribuir-lhe um significado e de vê-lo como o reflexo de uma personalidade. Vítimas de uma falácia patética, as pessoas consideram nossos braços bonitos ou feios e nos classificam de cínicos, honestos ou atraentes, de um modo muito semelhante aos poetas quando rotulamos aspectos inanimados da paisagem de acordo com critérios emocionais, chamando determinada montanha de ‘intrépida’ ou certo riacho de ‘alegre’.” (O movimento romântico – sexo, consumo e o romance - Alain de Botton – Rocco – 1998)

(Alain de Botton - se ainda não o conhece, busque... vale a pena)
MAS, CONCLUSÃO: NOSSO CORPO NÃO É UM AMONTOADO DE CÉLULAS...


“Para tudo seu momento
E tempo para todo evento sob o céu
Tempo de nascer e tempo de morrer
Tempo de plantar e tempo de arrancar a planta
Tempo de matar e tempo de curar
Tempo de destruir e tempo de construir
Tempo de pranto e tempo de riso
Tempo de ânsia e tempo de dança
Tempo de atirar pedras e tempo de retirar pedras
Tempo de abraçar e tempo de afastar os braços
Tempo de procurar e tempo de perder
Tempo de reter e tempo de dissipar
Tempo de rasgar e tempo de coser
Tempo de calar e tempo de falar
Tempo de amar e tempo de odiar
Tempo de guerra e tempo de paz...”
(Eclesiastes – Qohélet – O que sabe – tradução de Haroldo de Campos, dispensa apresentações)

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