sábado, 19 de dezembro de 2009

Guimarães Rosa, Magma e eu

Encorajamento: meu desejo corre a ti com velas enfunadas... Podes dar-lhe um porto, sem nenhum receio: ele não traz âncora... (...)



Medo da felicidade: estremecemos juntos... Que Potência má será a soberana desse vento frio que passou? (...)

As sete sereias do longe: si - mesmo, o céu, a felicidade, o longo atalho chamado poesia, a esperança vendada e a saudade sem objeto... Sereias do longe, do longe... malhas para captar o incognoscível...




Ninguém está a cobro da doideira de si ou de outros, agora, eu, sei como tudo é: as coisas que acontecem, é porque já estavam ficadas prontas, noutro ar... Malhas para captar o incognoscível... já estavam noutro ar...


Minha natureza não pode dar saltos? As coisas assim que será da inocência?

Que será do coração se o amor não tiver flechas?

Se a morte é a morte, que será dos poetas e das coisas adormecidas que já ninguém recorda? Oh sol das esperanças, água clara! Lua nova! corações das crianças...


Almas rudes das pedras, hoje, sinto no coração um vago tremor de estrelas e todas as rosas são tão brancas como minha dor... Tão brancas como minha dor(...)



Pode-se lá, porém, permitir que a palavra nasça do amor da gente, assim, de broto e jorro? Aí a fonte, o olho-d’água, ou como uma borboleta sai do bolso da paisagem? Entranhas de alma... Vísceras do viver... Pulso de coração forte, firme, seu...

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