quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sugestão: Jonathan Foer

Jonathan Safran Foer é um dos escritores norte-americanos mais festejados da atualidade; tem 30 anos e escreve livros best-sellers. Autor de Tudo se Ilumina (que virou filme ano passado com Elijah Wood no papel do autor) e Extremamente Alto & Incrivelmente Perto. Essa a indicação do clube hoje. É um livro surpreendentemente simples e maravilhosamente sofisticado. Vale!


“Fui de novo no dia seguinte, a caminhada foi exaustiva, a cada passo me convencia mais um pouco de que ela me via com maus olhos, ou pior, de que não tinha sequer pensado em mim, caminhei com a cabeça arqueada, meu chapéu de aba larga abaixado, quando você esconde o rosto do mundo fica incapaz de ver o mundo, e foi por isso que, no meio de minha juventude, no meio da Europa, no meio do caminho entre nossas duas localidades, prestes a perder tudo, me choquei com alguma coisa e fui derrubado no chão. Precisei buscar o ar diversas vezes para me recuperar, primeiro pensei que havia me chocado com um árvore, mas então a árvore se transformou em uma pessoa que também estava sentada no chão se recuperando, e então vi que era ela e ela viu que era eu. ‘Olá, falei, me limpando, ‘Olá, ela disse. ‘Isso é muito engraçado’. ‘É’. Como podia ser explicado? ‘Aonde você está indo?’, perguntei. ‘É só um passeio’, ela respondeu, ‘e você ?’ ‘Só um passeio’. Um ajudou o outro a se levantar, ela tirou folhas do meu cabelo, eu quis tocar em seu cabelo, ‘Isso não é verdade’, falei ignorando quais seriam as próximas palavras a sair da minha boca mas querendo que fossem minhas, querendo, como nunca quis outra coisa, expressar o centro do meu ser e ser compreendido. ‘Estava indo ver você’, falei. ‘Vim até sua casa todo dia nos últimos seis dias. Por alguma razão, precisava ver você de novo’. Ela ficou em silêncio, eu tinha feito papel de bobo, não há nada errado em não compreender a si próprio, e ela começou a rir, a risada mais forte que eu já havia presenciado, o riso trouxe lágrimas e as lágrimas trouxeram mais lágrimas, e então eu comecei a rir, movido pela mais profunda e completa vergonha, ‘Estava indo a seu encontro’, falei de novo, como se enfiasse meu nariz na minha própria merda, ‘porque queria ver você de novo’, ela ria e ria, ‘Isso explica tudo’, ela disse quando conseguiu recuperar a fala. ‘Tudo?’ ‘Isso explica por que, nos últimos seis dias, você não estava em casa’. Paramos de rir, trouxe o mundo para dentro de mim e o devolvi, reorganizado, na forma de uma pergunta: ‘Você gosta de mim?’. (fragmento de Extremamente alto & Incrivelmente perto)

(Jonathan Safran Foer)

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