domingo, 28 de fevereiro de 2010

LUTO NA CULTURA BRASILEIRA

José Mindlin (1914-2010)

O empresário e bibliófilo José Mindlin morreu neste domingo, 28, em São Paulo, aos 95 anos. Ao longo de 80 anos, ele reuniu a biblioteca particular mais importante do País.

Foto: J.F.Diório - Arquivo/AE - 28/02/2010


“Além do conteúdo, edição, encadernação, diagramação, tipografia, ilustração, ou papel, o livro exerce sobre mim uma tração física. Não me satisfaz ver um livro numa vitrine, sem poder pegá-lo. Minha tese é que a gente deve poder tocar naquilo que gosta, sentir objetos e pessoas. (...) vale a pena assinalar que o começo da imprensa encontrou, ou despertou, uma sede de saber inesperada, e provocou uma revolução na difusão do conhecimento, comparável, se não superior, à que representou a introdução da informática. Basta dizer que nesse período foram publicados no ocidente cerca de trinta e cinco mil títulos, com tiragens médias de duzentos a trezentos exemplares, o que representou o surgimento de mais de dez milhões de volumes, num mundo muito menor, e quando em toda a Europa a maior parte da população era analfabeta!"

CODA: in Uma vida entre Livros, 1997, José Mindlin.

Metafísica em gotas 2


“Do alto da minha sabedoria jurássica

vislumbrei:

A vida é simples e boa.

Eu sou feliz, linda, loura e japonesa.

Doença, tristeza e correria,

É pura baixaria.”

(Teresa do Milim)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Teatro: Galpão: Till

Muito bom voltar para casa empolgada, de corpo presente, consciência atenta e alma contente. Assim voltamos do Palácio das Artes depois de assistir mais um belo espetáculo do Galpão. Till é o tipo de trabalho que revigora o Quase-Ser-Tão; como costumamos ouvir: é a nossa cara (modéstia à parte). Ainda é possível assistir: amanhã, domingo, dia 28, tem sessão extra, cinco da tarde, e tem ingresso. Vale ver, e rever.


Metafísica em gotas



"Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só para escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo). Mas vivi! E ainda vivo. Não passo pela vida. E você também não deveria passar. Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante." (Charles Chaplin)

Quase-Ser-tão e Guimarães Rosa

(...)

“A língua e eu somos um casal de amantes que juntos procriam apaixonadamente, mas a quem até hoje foi negada a benção eclesiástica e científica. Entretanto, como sou sertanejo, a falta de tais formalidades não me preocupa. Minha amante é mais importante para mim.”

CODA: Guimarães Rosa apud Martins, N. S. O léxico de Guimarães Rosa. SP, Edusp, 2001, cit. Análise do Discurso & Literatura, Renato de Mello, organizador; Faculdade de Letras da UFMG, 2005.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um mesmo outro...


(...) “Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.

Mudo, mas não mudo muito.

A cor das flores não é a mesma ao sol

De que quando uma nuvem passa

Ou quando entra a noite

E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.

Por isso quando pareço não concordar comigo,

Reparem bem para mim:

Se estava virado para a direita,

Voltei-me agora para a esquerda,

Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés –

o mesmo sempre, graças ao céu e `a terra

E aos meus olhos e ouvidos atentos

E à minha clara simplicidade de alma...”


CODA: in O Guardador de Rebanhos, canto XXIX, Ficções do Interlúdio/1, Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, Editora Nova Fronteira, RJ, 1980.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DOIS TOQUES


“Cuenta la Odisea que, luego de los diez años que duró la guerra de Troya, Odiseo, uno de los principales generales griegos, emprendió su regreso anhelado a su hogar: Ítaca. Pero no iba a ser este un retorno fácil, ya que otros diez años pasarían antes de que pudiera pisar su reino. En el camino de vuelta a los brazos de su esposa Penélope y su hijo Telémaco, hubo de pasar por los dominios de la bruja Circe. Ésta, enamorada de Odiseo, lo hizo víctima de un hechizo con el fin de retenerlo y convirtió a sus marinos en cerdos para que ninguno pudiera escapar. Y en ese estado permanecieron hasta que el héroe reconoció en aquellos animales a sus amigos, y a partir de este reconocimiento les devolvió su naturaleza humana.

Metáfora fantástica de lo que ocurre en la vida: sólo a partir del reconocimiento del otro, del lugar que el otro nos da, es cómo vamos encontrando nuestro sitio en su deseo y en la vida.

Cuando el bebé descubre la cara de su madre, sonríe y se relaja, porque en ella se ve reconocido y lee en su mirada: éste es mi hijo. Algo parecido ocurre con la madre, quien también de codifica en esa sonrisa relajada que ha sido reconocida como tal.

El deseo es, en definitiva, la única arma que tenemos para enfrentar a la muerte. Porque si no tuviéramos deseos deberíamos pensar todo el tiempo que nos vamos a morir. Movidos por su fuerza, en cambio, emprendemos epopeyas, escribimos libros, nos enamoramos, estudiamos o simplemente transitamos la vida de la mano de aquellos que, con su reconocimiento, nos hacen renovar permanentemente las ganas de crecer y nos invitan a inventar, siempre, un proyecto más.”

CODA: in El hambre, por Gabriel Rolón, in QUID, Nº 22, revista bimestral de cultura urbana, Argentina, junho/2009.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CONVITE: BOA MÚSICA EM BH

Quase-Ser-tão convida... vamos lá?

Poema de hoje.


(...)

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro da tua casa.

Despe o meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é (...).”



CODA: in O guardador de rebanhos, Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, Ficções do Interlúdio/1, Nova Fronteira, RJ, 1980.