terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL 9


WALT WHITMAN 9



A pé e de coração leve

Eu enveredo pela estrada aberta,

Saudável, livre, o mundo á minha frente,

À minha frente o longo atalho pardo

levando-me aonde eu queira.

Daqui em diante não peço mais boa-sorte,

Boa-sorte sou eu.

Daqui em diante não lamento mais,

Não transfiro, não careço de nada;

Nada de queixas atrás das portas,

De bibliotecas, de tristonhas críticas;

Forte e contente vou eu

Pela estrada aberta.

A terra é quanto basta:

Eu não quero as constelações mais perto

Nem um pouquinho, sei que se acham muito bem

Onde se acham, sei que são suficientes

Para os que estão em relação com elas.

(Carrego ainda aqui

Os meus antigos fardos de delícias,

Carrego – mulheres e homens –

Carrego-os comigo por onde eu vou,

Confesso que é impossível para mim

Ficar sem eles: deles estou recheado

E em troca eu os recheio.)



CODA: in Folhas das folhas da Relva, Walt Whitman – seleção e tradução de Geir Campos, Introdução de Paulo Leminski, Brasiliense, 1983.

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