sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um mesmo outro...


(...) “Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.

Mudo, mas não mudo muito.

A cor das flores não é a mesma ao sol

De que quando uma nuvem passa

Ou quando entra a noite

E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.

Por isso quando pareço não concordar comigo,

Reparem bem para mim:

Se estava virado para a direita,

Voltei-me agora para a esquerda,

Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés –

o mesmo sempre, graças ao céu e `a terra

E aos meus olhos e ouvidos atentos

E à minha clara simplicidade de alma...”


CODA: in O Guardador de Rebanhos, canto XXIX, Ficções do Interlúdio/1, Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, Editora Nova Fronteira, RJ, 1980.


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