(...) “Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés –
o mesmo sempre, graças ao céu e `a terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma...”
CODA: in O Guardador de Rebanhos, canto XXIX, Ficções do Interlúdio/1, Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, Editora Nova Fronteira, RJ, 1980.



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