quarta-feira, 3 de março de 2010

Fellini, Federico, o grande.


É impossível não celebrar Federico Fellini. O que Fellini fez não foi o melhor do cinema, mas está entre o que já se fez de melhor na arte, em todos os tempos.

Em 5 de fevereiro de 1960 (isto é, há 50 anos) as salas de cinema italianas testemunharam o sonho felliniano que marcaria o antes e o depois na história do cinema : a estréia de "La Dolce Vita". A diva interpretada por Anita Ekberg, que repete até não poder mais sua chegada ao aeroporto para posar diante dos fotógrafos, o intelectual atormentado e o caçador de imagens comprometidas, desde então batizado "paparazzo", desfilam por essa fantasia feita realidade, fragmentada em cenas aparentemente desconexas em um paradigma agridoce da "noite romana". “A Doce Vida” é uma contundente crítica à sociedade romana da época com sua aristocracia decadente, além de eternizar a figura do fotógrafo paparazzo que persegue celebridades. E contém uma das mais famosas cenas do cinema: quando a atriz Anita Ekberg entra na Fonte di Trevi com um longo vestido preto. La Dolce Vita foi filmado no início dos anos 1960, em Roma (Itália), conta a história do jornalista Marcello (Marcelo Mastroianni), que vive entre as celebridades, os ricos e os fotógrafos que lotam a badalada Via Veneto. Neste mundo marcado pelas aparências e por um vazio existencial, ele freqüenta festas, conhece os tipos mais extravagantes e descobre um novo sentido para a vida.

O renomado crítico Indro Montanelli escreveu na época um texto memorável: "O cinema de Fellini não está aquém do que Goya fez para a pintura. Nosso cinema nunca produziu nada comparável a este filme. Estamos ante algo excepcional, não porque represente mais ou melhor o que já se fez para a tela, mas porque vai muito além, mudando todas as regras e convenções”.

Fellini, explicava assim o filme: "Só queria dizer que a pesar de tudo, a vida tem uma doçura profunda, inegável”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário