quarta-feira, 3 de março de 2010

MULHERES 3: TERESA D'ÁVILA

Transverberação de Santa Teresa, escultura de Gian Lorenzo Bernini


Aproveitando a deixa:

Transverberação (do latim “trans verberatio”, deixar passar, transpassar de lado a lado), na hagiografia católica, é a experiência mística atribuída a alguns fiéis que teriam sido feridos pela intervenção sobrenatural de Deus. Entre os casos mais célebres, está o de Santa Teresa d'Ávila, cujo coração teria sido transpassado durante um êxtase por um anjo com uma flecha de fogo. Os estigmas são considerados frutos da transverberação.

Sugerimos conhecer a história dessa espanhola do século XII, única mulher ‘admitida’ doutora da Igreja. É vasta a bibliografia a respeito. Desconsertou seu tempo, e continua desconsertando... Indicamos o livro ‘Teresa, mon amour’, de Julia Kristeva, que tem a mesma escultura na capa. Julia é crítica literária, psicanalista e, mais recentemente romancista. Com Barthes, Todorov, Lévi-Strauss, Lacan, Foucault, Althusser, etc... está no grupo dos estruturalistas. A mesma capa está lá no seminário de Lacan, ‘Encore’, que no capítulo 6 recomenda contemplar a estátua de Bernini a quem queira entender o ‘gozo místico’. Diz ele: ‘Nesse caso, há uma verdadeira passagem à ex-istência, uma passagem para aquele “ex”, para aquele “fora” que serve de prefixo para a palavra êx-tase. Há centenas de variações, interpretações e os estudos continuam... Júlia Kristeva retoma o mote lacaniano e entrelaça o deliro místico à dimensão imaginativa e à escrita. Teresa d’Ávila foi escritora e ‘fundadora’ (fundou a Ordem das Carmelitas). O livro de Kristeva é muito interessante sob diversas óticas, incluindo a linguagem cheia de jargões – pop, tecnológico, lingüístico, psicanalítico, etc.. – e a forte influência de Derrida.


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