De todo lo que he dicho de mí ¿qué queda?
Guardé falsos tesoros en armarios vacíos
Un inútil navío une mi infancia a mi fastidio
Mis juegos a la fatiga
Una escapada a mis quimeras
La tempestad al arca de noches donde estoy solo
Una isla sin animales a los animales que amo
Una mujer abandonada a la mujer siempre nueva
En vena de belleza
Única mujer real
Aquí allá
Dando sueños a los ausentes
Su mano tendía hacia mí
Se refleja en la mía
Digo buenos días sonriendo
No se piensa en la ignorancia
Y la ignorancia reina
Sí, yo lo esperé todo
Y desesperé de todo
De la vida el amor el olvido el sueño
De la fuerza la debilidad
Ya nadie me conoce
Mi nombre mi sombra son lobos.
CODA: in Octavio Paz, Versiones y Diversiones. Editorial Joaquín Moriz, México, 1974.
Paul Éluard, pseudônimo de Eugène Grindel (1895-1952), poeta francês. Entre suas obras estão Os animais e seus homens (1920), Capital da dor (1926), O amor, a poesia (1929), Os olhos férteis (1936), Ao encontro alemão (1944) e Uma lição de moral (1949). Tornou-se conhecido como O Poeta da Liberdade. Em janeiro de 1942, seu poema “Liberté” (Liberdade), composto por vinte e uma estrofes, é lançado por aviões ingleses sobre a França. Para que o poema fosse impresso na Inglaterra, foi contrabandeado, desde a França ocupada, pelo pintor pernambucano Cícero Dias.
Embora o trabalho de Paul Éluard tenha conhecido várias fases – foram dezenas de títulos publicados entre 1913 e 1952, ano de sua morte -, Paul Éluard tornou-se conhecido principalmente pela sua poesia surrealista. O poeta formou-se num momento extraordinário da vida cultural francesa. Conviveu intensamente com André Breton, Louis Aragon, Picasso, De Chirico, Dalí, Magritte, Miró, Man Ray e Chagall.
Aos 16 anos, Paul Eluard contraiu tuberculose. Na Suíça, no Sanatório de Davos, ele conhece uma jovem russa, Helena Diakonova, que ele chama de Gala (ali conheceu também a Manoel Bandeira). Casa-se com ela em 21 de fevereiro de 1917. Em 11 de maio de 1918, nasce sua filha Cecile. Viveram juntos até 1929. Gala em seguida se casaria com o pintor espanhol Salvador Dalí.
Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade traduziram o poema “Liberté” a quatro mãos, ainda nos anos 40.





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