terça-feira, 23 de março de 2010

Sobre poesia.. .Mais poesia...


"Poeta é quem, numa língua em que há sem dúvida noções inumeráveis, idéias com pressa de dizer tudo, cria relações, não entre idéias, mas entre palavras, pela via de uma beleza de escrita que faz intervir as sonoridades, os ritmos, e toma a aparência de imagens, irredutíveis à análise."


"A poesia é antes de tudo um modo de lutar contra a linguagem. A linguagem trinca a realidade, que é aquilo que substitui a representação mental. Pode-se fazer poesia por causa do sentido das palavras e entrar numa outra ordem de conceitos. A poesia não significa, ela mostra."

"É preciso ser poeta no momento
de traduzir poesia. A poesia
é uma maneira de ser, é uma
experiência que falta a muitos
poetas profissionais. Os que
gostam da tradução já são
poetas. Traduzir é muito útil,
porque permite às línguas
tomar consciência
de seus limites e preconceitos.
Quando traduzimos, já somos
obrigados a viver a poesia
de uma outra maneira."



Vrai Nom – Du mouvement et de l´immobilité de Douve, Yves Bonnefoy

Je nommerai désert ce château que tu fus,

Nuit cette voix, absence ton visage,
Et quand tu tomberas dans la terre stérile
Je nommerai néant l´éclair qui t´a porté.

Mourir est um pays que tu aimais. Je viens
Mais éternellement par tes sombres chemins.
Je détruits ton désir, ta forme, ta mémoire,
Je suis ton ennemi qui n´aura de pitié.

Je te nommerai guerre et je prendrai
Sur toi les libertés de la guerre et j´aurai
Dans mes mains ton visage obscur et traversé,
Dans mon coeur ce pays qu´illumine l´orage.




Verdadeiro Nome – Do movimento e da imobilidade do Fosso, Yves Bonnefoy


Nomearei deserto este castelo que tu foste.
Noite esta voz, ausência teu rosto,
E quando tombares na terra estéril
Nomearei nada o relâmpago que te trouxe.

Morrer é um país que tu amavas. Eu venho
Eternamente por teus caminhos sombrios.
Destruo teu desejo, tua forma, tua memória,

Sou teu inimigo que não terá piedade.

Te nomearei guerra e prenderei
Sobre ti as liberdades da guerra e terei
Em minhas mãos teu rosto obscuro e atravessado,
No meu coração este país que ilumina a tempestade.

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