sábado, 6 de março de 2010

Três toques:



1. “Somos todos retalhos de uma textura tão disforme e diversa que cada pedaço, a cada momento, faz o seu jogo. E existem tantas diferenças entre nós e nós próprios como entre nós e os outros.” (Michel de Montaigne, Ensaios, 2º vol., I.)

2. TREM NOTURNO PARA LISBOA – Pascal Mercier – Record, RJ, 2009. (‘Um deleite para a alma. Um dos melhores livros que li nos últimos tempos’. Isabel Allende)

3. “De mil experiências que fazemos, no máximo conseguimos traduzir uma em palavras, e mesmo assim de forma fortuita e sem o merecido cuidado. Entre todas as experiências mudas, permanecem ocultas aquelas que, imperceptivelmente, dão às nossas vidas a sua forma, o seu colorido e a sua melodia. Quando depois, tal qual arqueólogos da alma, nós nos voltamos para esses tesouros, descobrimos quão desconcertantes eles são. O objeto da observação se recusa a ficar imóvel, as palavras deslizam para fora da vivência e o que resta no papel no final não passa de um monte de contradições. Durante muito tempo acreditei que isso era um defeito, algo que deve ser vencido. Hoje penso que é diferente, e que o reconhecimento de tamanho desconcerto é a via régia para compreender essas experiências ao mesmo tempo conhecidas e enigmáticas. Tudo isso parece estranho, eu sei, até mesmo extravagante, mas desde que passei a ver as coisas assim, tenho a sensação de, pela primeira vez, estar atento e lúcido”.

CODA: Pascal Mercier é o pseudônimo literário do filósofo Peter Bieri. Nasceu em Berna em 1944, foi professor de Filosofia na Universidade de Berlim. Aos 45 anos escreveu o primeiro romance e depressa começou a “sentir-se em casa”. Precisava de me esconder atrás de pseudônimo para ter coragem de me libertar na escrita. Só sabia que queria um nome com sonoridade francesa mas que não fosse extravagante. É uma experiência fantástica escolher um outro nome porque o kitsch que há em nós surge no seu máximo. Os primeiros nomes que nos surgem são extraordinários.”

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