quarta-feira, 31 de março de 2010

Um lembrete e duas sugestões:

(...)

“Escrever existe por si mesmo? Não. É apenas o reflexo de uma coisa que pergunta (...). Escrever é uma indagação.” (Clarice Lispector)


“O que soa às vezes entediante em Goethe: que ele sempre é completo. À medida que envelhece, ele desconfia mais e mais das parcialidades passionais. Mas ele é naturalmente tão grande que precisa de um equilíbrio distinto dos outros homens. Ele não anda sobre pernas-de-pau, mas sim reina sobre um imenso e mundial globo do espírito, sempre em torno de si,e a gente tem quando quer compreendê-lo, que girar como uma pequena lua em torno dele. Um papel humilhante, mas o único que é cabível no caso dele.

Ele dá a alguém não o poder da ousadia, mas sim o da permanência, e não conheço nenhum outro grande poeta junto de quem a morte se dissimula por tanto tempo. (1967)

In Elias Canetti, Sobre a morte, Estação Liberdade, SP, 2009.


(...)

Rita ou Os olhos já não estão aqui

Rita, dizem os dicionários, é a abreviatura de Margarida. Mas há quem diga que o nome, embora diminuto, tem uma autonomia semântica, por estar associada à idéia de rito, ritual, e, por vias transversas, à de ritmo. Toda Rita tem medo de morrer sem ter vivido. Por isso usufrui cada momento de seus dias como se fosse o último. Algumas têm uma malícia implícita. Outras, um coração sublime. Ainda há aquelas que acreditam que nem todo ardil está isento de afeto.


In O livro dos nomes, Maria Esther Maciel, Companhia das Letras, SP, 2008.


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