quarta-feira, 21 de abril de 2010

21 de abril


Romance XXVII ou Do animoso Alferes



Pelo monte claro,

Pela selva agreste

Que março, de roxo,

Místico enfloresce,

Cavalga, cavalga

O animoso Alferes.

Não há planta obscura

Que por ali medre

De que desconheça

Virtude que encerre,

- ele, o curandeiro

De chagas e febres,

O hábil Tiradentes,

O animoso Alferes.


(...)



De olhos espantados,

Do rosilho desce,

Terra de lagoas

Onde a água apodrece.

Janelas, esquinas

Escadas... – parece

Que há sombras que o espreitam,

Que há sombras que o seguem...

Falas sem sentido

Acaso repete,

- pois sente, pois sabe

Que já se acha entregue.

Perguntas, masmorras,

Sentnça... recebe

Tudo além do mundo...

E em sonho agradece,

O audaz, o valente,

O animoso Alferes.



In Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles, 2ª Edição, Civilização Brasileira,RJ, 1979.


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