sexta-feira, 23 de abril de 2010

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO



Para celebrar este dia, vamos copiar Clarice Lispector, musa deste clube.


“A ARTE, IMAGINO, NÃO É INOCÊNCIA, É TORNAR-SE INOCENTE.”


“Sim, minha força está na solidão.”

“E eu não agüento a resignação. Ah, como devoro com fome e prazer a revolta.”

“Não, não estou falando em procurar escrever bem: isso vem por si mesmo. Estou falando em procurar em si próprio a nebulosa que aos poucos se condensa, aos poucos se concretiza, aos poucos sobe à tona – até vir como um parto a primeira palavra que a exprima.”



“Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si.”


“Aí está ele, o mar, a menos ininteligível das existências não-humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos”.

“Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.”

“E descobri que não tenho um dia-a-dia. É uma vida-a-vida. E que a vida é sobrenatural.”

“O que eu sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. Do que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse.””Ver a verdade seria diferente de inventar a verdade?”

“Tornar um livro atraente é um truque perfeitamente legítimo. Prefiro, no entanto, escrever com o mínimo de truques.”

“O nome é um acréscimo, e impede o contato com a coisa. O nome da coisa é um intervalo para a coisa. A vontade do acréscimo é grande – porque a coisa nua é tão tediosa.”

“E um dos indiretos modos de entender é achar bonito.”



“Acho que loucura é perfeição. É como enxergar. Ver é a pura loucura do corpo.”


“Não se perde por não entender.”

“... a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.”

“Eu tenho à medida que designo – e este é o esplendor de se ter uma linguagem. Mas eu tenho muito mais à medida que não consigo designar. A realidade é a matéria prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la – e como não acho.”

“Só posso alcançar a despersonalidade da mudez se eu antes tiver construído toda uma voz. Ah, mas para chegar à mudez, que grande esforço da voz. Minha voz é o modo como buscar a realidade; a realidade, antes de minha linguagem, existe como um pensamento que não se pensa, mas por fatalidade fui e sou impelida a precisar saber o que o pensamento pensa.”

“É que sinto falta de um silêncio. Eu era silenciosa e agora me comunico, mesmo sem falar. Mas falta uma coisa. E vou tê-la. É uma espécie de liberdade, sem pedir licença a ninguém.”

“Será preciso coragem para fazer o que vou fazer; dizer. E me arriscar à enorme surpresa que sentirei com a pobreza da cosia dita.”

“Escrevo-te em desordem, bem sei. Mas é como vivo. Eu só trabalho com achados e perdidos.”

“Você há de perguntar por que tomo conta do mundo. É que nasci incumbida.”



“Só porque viver não é relatável. Viver não é vivível. Terei que criar a vida. E sem mentir. Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade.”

Um comentário:

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