sexta-feira, 16 de abril de 2010

FAZ DIFERENÇA:


DE VERDADE e LIBERTAÇÃO: dois livros especiais. São dois livros que estão entre os ‘acontecimentos’ que me constroem...


Sándor Márai nasceu em Kassa, uma pequena cidade da Hungria, hoje Eslováquia. Autor de mais de sessenta livros: romancista, poeta, cronista, jornalista. Escreveu o primeiro romance aos 24 anos. Sua obra passeia por todas as aventuras da existência humana – do amor, da morte, da guerra, da dor, da paixão, da tristeza, da fragilidade, das armadilhas da linguagem... - com a mesma força e coerência. Defensor radical da liberdade de pensamento, a crítica à guerra e ao comunismo, marca definitivamente sua vida e obra. Experimentou o sucesso e o esquecimento. Após sua morte em 89 – suicidou-se em San Diego, onde morava após passar pela Suíça, Inglaterra e Itália – foi redescoberto; alguns títulos só publicados postumamente. A clareza e o cuidado com a linguagem se aliam à desconcertante contundência com que demonstra a aventura humana.
Destaque para :
AS BRASAS - Ed. Companhia das Letras, 1999 -Tradução - Rosa Freire d’Aguiar.
O LEGADO DE ESZTER - Ed. Companhia das Letras -2001 – Tradução - Paulo Schiller.
VEREDICTO EM CANUDOS - Ed. Companhia das Letras – 2002 - Tradução de Paulo Schiller. (a ação se passa no sertão da Bahia. Escrito em1960 depois de ler “Os Sertões” de Euclides da Cunha, foi lançado em 1970 no Canadá. Tem a mesma precisão dos outros trabalhos; como se Marai tivesse vivido na Bahia; é mais uma vez , impressionante).
CONFISSÕES DE UM BURGUÊS - Ed. Companhia das Letras -2006 – Tradução - Paulo Schiller. (são memórias, minuciosamente descreve sua vida, formação, e obra).
DE VERDADE - Ed. Companhia das Letras – 2008 – Tradução- Paulo Schiller. (escrito ao longo de quatro décadas, traz a voz de quatro narradores)
AS VELAS ARDEM ATÉ O FIM – 1942 - Portugal, Ed. Dom Quixote.
Libertação - Ed. Companhia das Letras - tradução de Paulo Schiller - 2009.



“(...)
Para Sandor Marái o mundo funciona iludido pela necessidade de responder às necessidades. Ao escrever, observa, de dentro da ilusão de ordem, uma ordem única e possível, que se escreve sob o signo da ficção. Para negar a ilusão, ilude o leitor, que pensa ler-se em um mundo correto e funcional, quando, na verdade, só se permite que, sob a exatidão, recaiam, sobre ele, dúvidas e incertezas.
A literatura de Sandor Marái é potente, enfim, não por ter este ou aquele pensamento sobre os homens, não pelo ceticismo que acompanha essa percepção, mas é potente, sobretudo, por obrigar o leitor a não ler apenas o que lê, por obrigá-lo a penetrar na ordenação possível de seu texto.
Com cuidado, reafirme-se: obrigar. O grande escritor obriga, dá ordens, faz escravo do texto o leitor, quer este queira, quer não.

In Oswaldo Martins, escritor e poeta, doutor em Literatura pela UERJ



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