segunda-feira, 31 de maio de 2010

Atenção para o convite da Cristina Borges:

Queridos amigos
Estou apresentando um programa de rádio! E gostaria de convidá-los a ouvir. O programa vai ao ar toda segunda, às 23h. E sempre homenageamos algum autor ou livro ou tema. Hoje o programa fará uma homenagem à Poesia Sonora. Ouçam, comentem e sugiram coisas! Muitos beijos.
TropofoniaRadio UFMG Educativa - 104,5 FM

www.ufmg.br/radio (recomendo escutar on-line).
Apresentação: Cristina Borges Y Francesco Napoli Y Wilmar SilvaToda segunda-feira, às 23h.

http://www.tropofoniabh.blogspot.com/

Feliz Aniversário...


Com amor.

MEU MUNDO SEGUNDO VOCÊ

(foto de Asas do Desejo, Win Wenders)

14.


Mas de repente tudo ficou novamente escuro; perdi as luzes, errei a porta, caí no poço. E lembrei outras lembranças: as flores sumiram, não as encontro e me despedaço. E me lembro de quando comecei a desenhar meu nome. Eu lembro o quanto tudo era estranho e que, uma desconfiança de pavor, o desconhecimento e a dor não fingida nem sabida, ainda menos percebida, aparecia nas linhas tremidas, escuras cinzas redondas, incertas, trêmulas, redondas e imensas, imensidão que tentava esconder o medo que eu sentia, medo pavor de tanto nada.


Tamanho imenso da aprovação que se buscava e da ignorância de minha estranheza e que assim, desta, da estranheza, eu fiquei sabendo somente que era uma coisa minha, e que talvez assim tenha sido muito tempo a única coisa minha que eu tive. Eu por muito tempo fui a estranheza. Num tempo antes das flores de amaranto descobertas.


E agora me lembro também de uma coragem repentina que me veio e que soltou minha língua e eu disse: ‘merda, que ninguém me vê’, e veio a bofetada dizendo que me calasse para sempre. Dito que se gravou no corpo que nunca mais foi meu, era o corpo esbofeteado, uma dor durando uma noite eterna que nunca mais deixou de doer, de um sol que nunca mais nasceu. Agora me lembro da mãe que nunca tive; da doença que não cura e vejo minha invisibilidade no desejo que têm de não me verem. E me lembro do amor que meu pai tentou me dar, amor que me obrigou a lutar pela vida a que jamais tive direito; mas que lutei, pois que ele me amava. Amava-me, só não me fazia esquecer a mãe que eu não tinha. E me lembro da filha que busquei, que criei, que tentei amar para que não conhecesse a estranheza que era eu, e para que conhecesse a vida que me foi tirada.


Eu me lembro do NÃO eterno que minha filha disse pra mim, fechando assim o círculo do desconhecimento que definiu bem o território da não vida eterna que me foi concedida. O NÃO dito pela filha confirma o silêncio que me foi concedido e ASSIM se esclarece minha viabilidade imprevista: inviável és, foste e serás. Então: cala-te. Teu reino é a noite. E o silêncio. Não insista. A morte não virá nunca mais. Ela chegou primeiro. E não vistes. É a tua vida. Silencia. No silêncio está minha viabilidade.

Bendito NÃO dito por minha filha. Agora poderei falar de flores.

Falaremos do corpo... Chico Buarque e Elis Regina

Tatuagem


Chico Buarque - Ruy Guerra


Quero ficar no teu corpo

Feito tatuagem

Que é prá te dar coragem

Prá seguir viagem

Quando a noite vem...

E também prá me perpetuar

Em tua escrava

Que você pega, esfrega

Nega, mas não lava...

Quero brincar no teu corpo

Feito bailarina

Que logo se alucina

Salta e te ilumina

Quando a noite vem...

E nos músculos exaustos

Do teu braço

Repousar frouxa, murcha

Farta, morta de cansaço...

Quero pesar feito cruz

Nas tuas costas

Que te retalha em postas

Mas no fundo gostas

Quando a noite vem...

Quero ser a cicatriz

Risonha e corrosiva

Marcada a frio

Ferro e fogo

Em carne viva...

Corações de mãe, arpões

Sereias e serpentes

Que te rabiscam

O corpo todo



Mas não sentes...

assim,


quinta-feira, 27 de maio de 2010

LITERATURA NO QUINTAL

Paula e Daniel: amor e juventude a serviço da educação...
Zélia, talento e delicadeza a serviço da educação....
Quase-Ser-Tão agradece e reverencia!

Falaremos do corpo.... E. E. Cunnings


I carry your heart with me



E. E. Cummings

I carry your heart with me (I carry it inmy heart)



I am never without it (anywhereI go you go, my dear; and whatever is doneby only me is your doing, my darling)



I fear


no fate(for you are my fate, my sweet)


I want no world (for beautiful you are my world, my true)


and it’s you are whatever a moon has always meantand whatever a sun will always sing is you



here is the deepest secret nobody knows(here is the root of the root and the bud of the budand the sky of the sky of a tree called life; which growshigher than the soul can hope or mind can hide)and this is the wonder that’s keeping the stars apart



I carry your heart (I carry it in my heart)



http://www.youtube.com/watch?v=-8Nxs0alNEI




CODA: Edward Estlin Cummings foi poeta, dramaturgo, pintor, ensaísta. Nasceu em 14 de outubro de 1894 e morreu em 1962. É considerado um grande inovador da linguagem literária. No Brasil, Augusto de Campos dedicou-se especialmente ao poeta americano. Este, costumava assinar seus trabalhos por e.e.cummings, em minúsculas, com o quê já podemos perceber sua liberdade criativa; seus textos incluem o uso de maiúsculas, pontuação, sonoridade, interrupções, etc... criando uma ritmicidade única e bela. Cummings é, ao mesmo tempo, lírico e satírico. Tem uma obra vasta, escreveu cerca de 900 poemas.

(e.e. cummings)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

LITERATURA NO QUINTAL


“A capacidade de se assombrar diante do banal”...


“Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. A primeira tarefa da educação é ensinar a ver... É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo.

(...) A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades. Sem a educação das sensibilidades todas as habilidades são tolas e sem sentido. "

(...) Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.

(...) Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomia, nomes latinos – mas esqueci. Mas nenhum professor jamais chamou minha atenção para a beleza de uma árvore ou para a curiosa simetria das folhas."
(Rubem Alves)

LITERATURA NO QUINTAL


Rosane e Geraldo..... forças mágicas do Quase-Ser-Tão!
Educando pela arte....

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ser Tão!!


“Ah, mas falo falso. O senhor sente? Desmente? Eu desminto. Contar é muito, muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas – de fazer balance, de se remexerem dos lugares. O que eu falei foi exato? Foi. Mas teria sido? Agora acho que nem não. São tantas horas de pessoas, tantas coisas em tantos tempos, tudo miúdo recruzado”.

“Desculpa me dê o senhor, sei que estou falando demais, dos lados. Resvalo. Assim é que a velhice faz. Também , o que é que vale e o que não vale? Tudo. Mire veja: sabe por que é que eu não purgo remorso? Acho que o que não deixa é a minha boa memória. A luzinha dos santos-arrependidos se acende é no escuro. Mas, eu , lembro de tudo.


“Tudo isto, para o senhor, meu senhor, não faz razão, não adianta. Mas eu estou repetindo muito miudamente, vivendo o que me faltava. Tão mixas coisas, eu sei. Morreu a lua? Mas eu sou do sentido e reperdido. Sou do deslembrado. Como vago vou. E muitos fatos miúdos aconteceram.”

“E muitas idas marchas: sertão sempre. Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera; digo. Mas saímos, saímos; subimos; ao quando um belo dia, a gente parava em macias terras, agradáveis. As muitas águas. Os verdes já estavam se gastando. Eu tornei a me lembrar daqueles pássaros. O marrequim, a garrixa-do-brejo, frangos-d’água, gaivotas. O manuelzinho-da-crôa! Diadorim, comigo. As garças, elas em asas. O rio desmazelado, livre rolador. E aí esbarramos parada, para demora, num campo solteiro, em varjaria descoberta, pasto de muito gado.”
in Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa.

Falaremos do corpo....: Hilda Hilst

PRELÚDIOS-INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR


Hilda Hilst

I


Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.


II
Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
(...)


[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]
in Poesia: 1959-1979/ Hilda Hilst. - São Paulo, Quíron, 1980.

(APOLO)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

LITERATURA NO QUINTAL: Lygia Bojunga


Bilhete e ps de amigo:

Alô, Guilherme! Tudo bem por aí? Hoje aconteceu um negócio sensacional: peguei um peixe!!!!

Um abracíssimo do Rodrigo.

ps. O Tuca ta me ensinando um bolão de macetes de pescaria, e a gente já combinou que todo o sábado de manhã vai pescar. Com chuva ou sem chuva.



Hoje, finalmente, eu tomei a decisãode acabar o meu livro. O aviso não me interessa mais. Tenho que tranformar de novo: o resto não me interessa mais. Se essa é a minha paix....*

Nota de Lygia Bojunga: A escritora morreu sem acabar a frase. Deram com ela debruçada na mesa, a ponta do lápis fincada na paixão.

in TCHAU, Lygia Bojunga, Agir, SP, 1985.

domingo, 23 de maio de 2010

Arte no Quintal

LITERATURA NO QUINTAL EM 22/05/10

O segundo encontro do clube de Arte Quase-Ser-Tão – no Arte no Quintal – homenageando

Lygia Bojunga foi pura magia....

Surpresas,

Alegria,

Criação,

Homenagens,

Descontração,

Aprendizagem,


Descobertas,

Imaginação,


ARTE NO QUINTAL: GENTE SONHANDO, GENTE VIVENDO, GENTE CRIANDO.

EDUCAÇÃO PELA ARTE : Quase-Ser-Tão

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Falaremos do corpo....



EU, ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome, que não é meu de batismo ou do cartório, um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida, que jamais pus na boca, nesta vida. Minha camiseta a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produto que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés.



Meu tênis proclama colorido de alguma coisa, não provada por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim, homem-anúncio itinerante, escrava da matéria anunciada.

Estou, estou na moda. É doce estar na moda ainda que a moda seja negar a minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo, ser pensante, sentinte e solidário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição.



Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional, ou em qualquer língua (qualquer principalmente). E nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação. Não sou – vê lá – anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista, exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete.



Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam, e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estética? Hoje sou costurado, sou tecido, sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem, meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.



Carlos Drummond de Andrade, O corpo, Record, RJ, 1984.


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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Lembrando....

Próximo sábado, 22 de maio/2010, segundo encontro ARTE NO QUINTAL:


1. Oficina literária: Lygia Bojunga se escreve com quê?

2. Exposição: O Grande Sertão de Guimarães Rosa – óleo sobre madeira – Renan Xavier

3. Livros, revistas e outros papéis: trocamos, doamos, recebemos.


Tudo com muita prosa, poesia e comida boa. Entre em contato conosco pelo email ou pelo telefone – (31) 32234007
Até aqui, então....

E ainda,

Vai vir o dia
Quando tudo que eu diga
Seja poesia

(Leminski),


e também,
Win Wenders


terça-feira, 18 de maio de 2010

E também sinto...

18 de maio - maio/18,
e que

“Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente não é o mesmo que dele se alegra ou padece. Na vasta colônia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente”.
(Fernando Pessoa, O Livro do desassossego, anotações de 30/12/1932),
e que,

sábado, 15 de maio de 2010

eu sinto que....

(Livros, de Van Gogh)

O LIVRO DESCONHECIDO


Estou à procura de um livro para ler. É um livro todo especial. Eu o imagino como um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes, penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim: eu o estaria lendo e, de súbito, uma frase lida com lágrimas nos olhos, diria em êxtase de dor e de enfim, libertação: mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus! (Clarice Lispector)


(Frederick ,the Literate, Charles Wysocki)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

artistasseresdetodasaslinguagens



leornardcohenpoesiamúsicarockjazzdançavalsatangofedericogarcíalorca:HOMENS



"A Thousand Kisses Deep"

The ponies run, the girls are young,
The odds are there to beat.
You win a while, and then it’s done –
Your little winning streak.
And summoned now to deal
With your invencible defeat,
You live your life as if it’s real,
A Thousand Kisses Deep.

I’m turning tricks, I’m getting fixed,
I’m back on Boogie Street.
You lose your grip, and then you slip
Into the Masterpiece.
And maybe I had miles to drive,
And promises to keep:
You ditch it all to stay alive,
A Thousand Kisses Deep.

And sometimes when the night is slow,
The wretched and the meek,
We gather up our hearts and go,
A Thousand Kisses Deep.

Confined to sex, we pressed against
The limits of the sea:
I saw there were no oceans left
For scavengers like me.
I made it to the forward deck.
I blessed our remnant fleet –
And then consented to be wrecked,
A Thousand Kisses Deep.

I’m turning tricks, I’m getting fixed,
I’m back on Boogie Street.
I guess they won’t exchange the gifts
That you were meant to keep.
And quiet is the thought of you,
The file on you complete,
Except what we forgot to do,
A Thousand Kisses Deep.

And sometimes when the night is slow,
The wretched and the meek,
We gather up our hearts and go,
A Thousand Kisses Deep.

The ponies run, the girls are young,
The odds are there to beat . . .





(….)
COMO FALAR POESIA
Pegue a palavra borboleta. Para usar essa palavra não é preciso fazer sua voz pesar menos de uma grama ou adorná-la com pequenas empoeiradas. Não é preciso inventar um dia de sol ou um campo de narcisos. Não é preciso estar apaixonado, ou estar apaixonado por borboletas. A palavra borboleta não é uma borboleta de verdade. Há a palavra e há a borboleta. Se você confundir essas duas coisas as pessoas terão o direito de rir de você. Não faça tanto da palavra. Você quer sugerir que ama as borboletas mais do que qualquer um, ou que realmente entende a sua natureza? A palavra borboleta é apenas um detalhe. Não é uma oportunidade para você flutuar, elevar-se, ficar amigo das flores, simbolizar beleza e fragilidade, ou de qualquer forma personificar uma borboleta. Não interprete as palavras. Jamais interprete as palavras. Jamais tente sair do chão quando falar em voar. Jamais feche os olhos e solte a cabeça para o lado quando falar de morte. Não me olhe com olhos ardentes quando falar de amor. Se quiser me impressionar quando falar de amor coloque a mão no bolso ou debaixo de seu vestido e se divirta. Se a ambição e a sede de aplausos te fazem falar de amor você deve aprender a fazer isso sem envergonhar a si mesmo ou ao material.
Qual atitude a época espera? A época não espera atitude alguma.
(...)
In Atrás das linhas inimigas do meu amor, Leonard Cohen, 7letras, RJ, 2007.



Huida de Nueva York: Pequeño vals vienés

Federico García Lorca

En Viena hay diez muchachas,
Un hombro donde solloza la muerte
Y un bosque de palomas disecadas.
Hay u fragmento de la mañana
En el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals con la boca cerrada.
Este vals, este vals, este vals,
De sí, de muerte y de coñac
Que moja su cola en el mar.
Te quiero, te quiero, te quiero,
Con la butaa y el libro muerto,
Por melancólico pasillo, en el oscuro desván del lirio,
En muestra cama de la luna
Y en la danza que sueña la tortuga.
“Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals de quebrada cintura.
En Viena hay cuatro espejos
Donde juegan tu boca y los ecos.
Hay una muerte para piano
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados.
Hay frescas guirnaldas de llanto.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals que se muere en mis brazos.
Porque te quiero, te quiero, amor mío,
En el desván donde juegan los niños,
Soñando viejas luces de Hungría
Por los rumores de la tarde tibia,
Viendo ovejas y lirios de nieve
Por ele silencio oscuro de tu frente.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals del “Te quiero siempre”.

In Obra Poética Completa, Federico García Lorca, Martins Fontes, SP, 1996.


Artes Plásticas e Poesia

Artista: Zélia Evangelista

Tela: Perfil Mulher



Declaração de Amor


Carlos Drummond de Andrade


Minha flor minha flor minha flor. Minha prímula meu pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro. Minha peônia. Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão. Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio. Flor flor flor. Floramarílis. Foranêmona. Florazaléa. Clematite minha. Catléia delfínio estrelitzia. Minha hortesegerânea. Ah, meu nenúfar. Rododentro e crisântemo e junquilho meus. Meu ciclâmen. Maiceira-minha-do-japão. Calceolária minha. Daliabegônia minha. Forsitiaíris tuliparrosa minhas. Violeta.... Amor-mais-que–perfeito. Minha urze. Meu cravo-pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte.

(A paixão medida – 1980)