domingo, 2 de maio de 2010

Alegria pura



Ei, Ana,


Cheguei aqui trazendo uma minhoquinha amarela e com um carinho tão grande por ela! tinha medo de machucá-la, ou de perde-la, ou que ela fosse embora, ou... Aí, olhei de novo, vi um pedacinho de lã amarela e a minha casa estava cheia de calor e um sol enorme brilhava na sala... Então o meu medo de perder aquela minhoquinha foi embora, não, todo o medo foi embora e eu pensei. É. Pela primeira vez desde as dezoito horas eu pensei. E agora já são dez horas da noite. Há mil anos é certo não conseguia ficar tanto tempo sem pensar. E o sol continuava aqui. E eu percebi que nem meu pensar diminuiu o calor que eu trouxe daí comigo.


Fiquei de escrever minhas impressões, e agora sei quais são, e são as melhores porque sei que o carinho que tenho e a vontade de ficar perto de você, este sol me mostrou: você consegue desatar minhas desimpressões e eu começo a sentir todo o amor que ficou atado lá atrás da minha razão! E aquelas palavras que me obrigo a imprimir em mim perdem todo o sentido: “você é muito emocional, onde está sua razão? explique isso, compreenda aquilo, interprete o fato, conclua corretamente, acerte as pontas, tire a prova, não erre o cálculo, você é doida!”. E sei, apesar da mulher obediente que eu sou, estas palavras não se imprimiram, mas me ataram por muito tempo. E a menina vê a minhoquinha amarela e fica encantada com o pássaro azul que saiu das trevas, numa brechinha de sol, e voou com um coração na mão, no pé, na cabeça e faz cócegas na barriga; e ainda ri do gigante com muita vontade de dançar com o galo maluco, meio português meio pernambucano, e logo quer ser peixe ou a mulher mais bonita de todas e charmosa também – uma grande dama na verdade -, até tomar um chá gostoso com chocolate e contar daquele velho sábio que sabe que só sabe o que tem para aprender. E descobrir logo o próprio rosto, com um sorriso que ama. Ah, dragão danado, que sabe tanta magia sem palavra, e sabe tanta palavra mágica. Sabe também que ser feliz é ficar calmo e olhar tudo com aquela surpresa de quem não viu nada de nada, de coisa nenhuma.


Minhas desimpressões maravilhosas dizem obrigada. Gracias. Merci. ЁλαΩ∑βµαδθλ (obrigada em grego, que eu vou aprender depois); ĀĆæüëåîÿ (e em latim, que vou aprender depois de antes).

Mas não é tudo. Há algo de irresistível no ar que te envolve.

Um abraço, com carinho, Magda


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