domingo, 2 de maio de 2010

Poeticamente o homem habita esta terra... Holderlin

“Essa linguagem do silêncio que é a poesia, lutando ainda contra as tendências positivistas da razão (que se fazem também presentes de maneira radical), invadirá o discurso em decorrência da própria necessidade do ver humano, que atingira nível indizíveis da consciência e do mundo. Assistimos,então, como diz Maritain, a uma penetração da arte “nas regiões da obscuridade”, onde “brilha apenas o sentido poético”, com absoluta autonomia sobre uma inteligibilidade que ele pode ou não criar de acordo com suas próprias leis. Proclamando a autonomia do sentido poético sobre o discurso lógico, a arte atual estaria buscando, na consciência do vazio da palavra e na experiência da ambigüidade do sentido e da mensagem, a expressão coerente com a realidade em torno, onde não se encontram certezas ou fundamentos definidos. Buscaria, então na palavra, uma razão “mais profunda, menos consciente que sua vida logicamente articulada”: uma razão que não discorre, mas vê.”


In Vereda trágica do Grande Sertão Veredas, Sonia Viegas, Escritos; Tessitura, BH,2009.



Nenhum comentário:

Postar um comentário