sábado, 1 de maio de 2010

Ser tão grande...


“O senhor sabe? : não acerto no contar, porque estou remexendo o vivido longe alto, com pouco caroço, querendo esquentar, demear, de feito, meu coração naquelas lembranças. Ou quero enfiar a idéia, achar o rumozinho forte das coisas, caminho do que houve e do que não houve. À vezes, não é fácil. Fé que não é”.


“Os dias que são passados vão indo em fila para o sertão. Voltam, com os cavalos: os cavaleiros na madrugada – como os cavalos se arrraçoam...”


“Jagunço é o sertão...”


“Sempre, no gerais, é à pobreza, à tristeza. Órfão de conhecença e de papéis legais, é o que a gente vê mais, nestes sertões. Homem viaja, arrancha e passa: muda de lugar e de mulher, algum filho é o perdurado. Quem é pobre pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas.

In Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa.

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