quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ser tão quase...



“O inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele gente tudo vendo.


Diadorim queria o fim. Para isso a gente estava indo.


E a vontade de fim, que me ora vinha ranger na boca, me levou num avanço.


Tocamos, fim que o mundo tivesse.


Para que conto isto ao senhor? Vou longe. Se o senhor já viu disso sabe; se não sabe, como vai saber? São coisas que não cabem em fazer idéia.


A qualquer narração dessas depõe em falso, porque o extenso de todo sofrido se escapole da memória. E o senhor não este lá. O senhor não escutou, em cada anoitecer a lugúgem do canto da mãe-da-lua. O senhor não estabelecer em sua idéia a minha tristeza quinhoã.


O senhor pergunte: quem foi que foi que foi o jagunço Riobaldo?


Existe é homem humano. Travessia.


Jagunço é o sertão.


Tudo incerto, tudo certo.”


In Vereda trágica do Grande Sertão : Veredas, Sônia Viegas, Tessitura, BH, 2009.

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