segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sugestão: O mestre e Margarida



... Quem és, afinal?

- Sou parte da força que eternamente

deseja o mal e eternamente faz o bem. (Fausto, Goethe)



Mikhail Bulgákov nasceu em Kiev, em maio de 1891. Trabalhou como médico e, depois de viajar pela Rússia e pelo Cáucaso, estabeleceu-se em Moscou em 1921, onde se dedicou à carreira literária. Escreveu contos, romances e peças, entre elas Os dias dos Turbin, que teve sucesso no Teatro de arte de Moscou em 1926, A debandada, em 1927, e Molière, encenada em 1936. Trabalhou também na adaptação para o teatro de clássicos como Almas mortas e dom Quixote.

A veia satírica de sua obra e a sua posição cada vez mais conflitante com o regime stalinista fizeram com que fosse duramente criticado e, no final dos anos 1920, começasse a ter problemas crescentes com a censura. Morreu em 1940, algumas semanas depois de fazer as últimas revisões de seu romance mais importante – e até então inédito -, O mestre e Margarida. Sua publicação pela revista soviética Moskva, entre novembro de 1966 e janeiro de 1967, mudou para sempre os rumos da literatura russa. Mikhail Bulgákov havia morrido 26 anos antes.

Bulgákov levou cerca de dez anos para terminá-lo, sabendo dos problemas que teria com a censura – chegou, inclusive, a queimar uma versão inicial. Em 1939, já cego, foi auxiliado na tarefa por sua mulher Yelena, a quem ditava os capítulos finais. Apenas seu círculo mais íntimo de conhecidos sabia da existência do romance e, também, da impossibilidade de lançá-lo durante o regime stalinista. Mas o livro sobreviveu por mais de duas décadas e, contra todas as previsões, tornou-se um fenômeno. Acabou, assim, por confirmar uma frase dita no romance pelo próprio diabo, e que na Rússia se tornou proverbial: “Manuscritos não ardem”.

O Mestre e Margarida é uma deliciosa sátira da vida em Moscou no início de 1920. Os personagens-título, um escritor pobre e sua namorada são secundários. A principal ação é movida por Mefistófeles, "professor Woland." Aparentemente um anfitrião visitando estrangeiros, na verdade ele é juntamente com três demônios (entre eles, Begemot, um gato impossível, hilário) um criador de problemas. Bulgákov prefaciou a história com uma citação do Fausto, de Goethe (também a origem do nome "Woland")


O apartamento do escritor, em Moscou, e no qual se passa parte da trama virou local de culto. No final da década passada, foi transformado no Museu Bulgákov.



A controversa Sympathy for the Devil foi composta por Mick Jagger com inspiração no livro O Mestre e Margarida do escritor soviético Mikhail Bulgakov. Jagger a escreveu como canção folk, inspirada em Bob Dylan. Ela motivou várias acusações de satanismo feitas contra a banda. A música saiu no álbum Beggar's Banquet, de 1968. Existem várias outras canções, do velho ao jovem rock - Pear Jam a Franz Ferdinand - que declaram influência de O mestre e Margarida.

(eu, já de mim, penso antes na marca magistral, quase indelével, da influência de Goethe, dispensável citar Werther?.... indispensável talvez reconhecer minha indelével admiração por Freud, e deste por Goethe)



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