quarta-feira, 30 de junho de 2010

QUASE-SER-TÃO NOTÍCIAS:

Primeiramente o quintal se transformou em cores e poemas,


aprendemos...

trabalhamos,

Brincamos,


casamos,

Sentimos,

e amanhã tem mais...

não necessariamente nesta ordem...


bebemos,

Então
comemos,

dançamos,


O futuro
No futuro os carros serão elétricos, não haverá poluição. No futuro os homens se cansarão das
máquinas e reinventarão a charrete e talvez até a discoteca. (Rafael Alves, 11 anos)

sábado, 26 de junho de 2010

É hoje.....!!!!!!!!!!



A partir das 15 hs, forró, fogueira e tudo mais de bão no quintal Quase-Ser-Tão.... vem uai!
Aula de forró: !6hs
Baile com monitores: 17 às 19 hs
Quadrilha

quinta-feira, 24 de junho de 2010

MEU MUNDO SEGUNDO VOCÊ

17.
O dia deu em cinza... E eu continuo copiando Pessoa, mas de repente fiquei saudosa do Saramago e eu nem me afinava com a dor que era a dor dele, mas sei que escrever é uma... uma coisa de gente que tem alguma coisa das minhas coisas, e então, eu? Digo, escrevo para conversar comigo, e nem tive opção, escolhi a conversa, e digo: ter que escolher é pior que não ter escolha... Escolhi a língua da escrita, você entende? Pensei: fazer nada é uma atitude metafísica, fazer nada é um fazer, entende? Fazer nada bem feito, bonito, alegre, leve... Alguém me disse, eu gostei: “ser feliz por preguiça...” Achei isso muito profundo, sabe? Ser feliz porque a vida é um espanto, só isso... Saudade é um estado de espírito, este estado, saudade porque o tempo passa, o tempo passa, e porque o tempo passa a gente escreve... Então pensei, saudade será exprimível em outra língua? Pensei que não, pensei que saudade é a língua escrita... é um sen-ti-men-to pausado.... um outro tempo, tempo da música... in-do-len-te, in-dul-gen-te, do-ce-men-te, se-men-te... É assim para gostar de escrever é preciso não escrever primeiro, é preciso primeiro ouvir a música da palavra, e então tudo fica solene, sagrado, tem espírito de saudade, e a gente tem que escrever, é obrigado a escrever... É um dever da liberdade, uma viagem na viagem, ser tão, não é território, é caminho, me lembro, minhas veredas, minhas gretas, minhas águas. Escrevo: muito sonho, pouco mundo, outro tempo. Aquela tem-po-ra-li-da-de...


Wolf dormiu?

Não.

Sorriu.

- Eu te amo.

- Ah!! Me lembrei.... ainda tem aquele medo de dançar e não voltar a si...

Wolf sorriu mais.
Eu senti mais saudade.
Magda Maria Campos Pinto

Reverenciamos:


“(...) Maria levantou-se e ninguém reparou nela. A noite fechara-se por completo, a luz das estrelas, no céu limpo e sem lua, parecia produzir uma espécie de ressonância, um zumbido que raiava as fronteiras do inaudível, mas que a mulher de José podia sentir na pele, e também nos ossos, de um modo que não saberia explicar, como uma suave e voluptuosa convulsão que não acabasse de resolver-se. Maria atravessou o pátio e foi olhar para fora. Não viu ninguém. A cancela da sua casa, ao lado, estava cerrada, tal qual a tinha deixado, mas o ar movia-se como se alguém tivesse acabado de passar por ali, a correr, ou voando, para não deixar da sua passagem mais do que um fugaz sinal, que outros não saberiam entender.”



In O evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago, Companhia das Letras, SP, 1993. Romancista, dramaturgo, poeta português. Nobel de Literatura 1998. Nós reverenciamos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Convite


QUASE-SER-TÃO CONVIDA...


ARTE NO QUINTAL

BAILE DE SÃO JOÃO
Próximo sábado, dia 26/06/10 – a partir de 15 horas
Tem forró, tem canjica, tem quentão, tem livro, tem brinde, tem casamento.... uai!
16 hs: Aulona de forró com o Prof. Vagner Henrique
17 hs: Quadrilha
KIT Quintal : 5 real
Entre em contato conosco pelo email ou pelo telefone 31 - 32234007

Reverenciamos:


“(...) e depois soube que o pastor se entretém a trocar os números das campas antes de serem colocadas as pedras tumulares, Porquê, É difícil de explicar, anda tudo à volta de saber onde se encontram realmente as pessoas que procuramos, ele acha que nunca saberemos, como aquela a quem tem chamado a mulher desconhecida, Sim senhor, Que fez hoje, Fui ao colégio onde ela tinha sido professora, fui à casa onde viveu, Descobriu alguma coisa, Não senhor, e achei que não queria descobrir. O conservador abriu o processo, tirou o verbete que viera pegado aos das cinco últimas pessoas famosas de quem o Sr. José se tinha ocupado, Sabe o que eu faria se estivesse no seu lugar, perguntou. Não senhor, Sabe qual é a única conclusão lógica de tudo o que sucedeu até este momento, Não senhor, Fazer para esta mulher um verbete novo, igual ao antigo, com todos os dados certos, mas sem a data do falecimento, E depois, Depois colocá-lo no ficheiro dos vivos, como se ela não tivesse morrido, Seria uma fraude, Sim, seria uma fraude, mas nada do que temos feito e dito, o senhor e eu, teria sentido se não a cometêssemos. Não consigo compreender. O conservador recostou-se na cadeira, passou lentamente as mãos pela cara, depois perguntou, Lembra-se do que eu disse ali dentro na sexta-feira, quando se apresentou ao serviço com a barba por fazer. Sim senhor, De tudo, De tudo, Portanto lembra-se de eu me ter referido a certos factos sem os quais nunca teria chegado a compreender a absurdidade que é separar os mortos dos vivos, Sim senhor, Precisarei de dizer-lhe que factos me referia, Não senhor.(...)”


In TODOS OS NOMES, José Saramago, Companhia das Letras, SP, 1997. Prêmio Nobel de Literatura 1998. Reverenciamos.

terça-feira, 22 de junho de 2010

MEU MUNDO SEGUNDO VOCÊ


16.
Descanso minha cabeça no peito de Wolf, ainda estou ofegante. Ele se entrega a um cochilo, mas ao mesmo tempo brinca de colar e descolar nossa pele suada. De repente segreda ruminações:

- Talvez chegue a ser um romance... Mas às vezes parece filosofia e outras vezes é uma catarse de mulher histérica.

Estou indolente; sinto-me vencida e gosto. Estou de ótimo humor.

- Eu queria escrever uma declaração de amor aos homens.

- Então você vai continuar?

- A vida ou o romance?

Ele ri solto, não se importa mais com minhas ambivalências e confusões; cuidadoso, brinca:

- Você não é capaz de distingui-los.

Rio, satisfeita e grata.

- Eu vou continuar.

- Quer sucumbir novamente.

- Quero.

- Tudo bem. Em frente... Eu ouço.

- No começo tudo é mágico, tudo é história. As coisas começam e terminam subitamente, não duram, as coisas são assim, sem antes nem depois. Como relâmpagos dentro de sombras. De repente, assim, do nada, tudo fica brilhante e lindo, e a cada minuto, uma luz nova. Uma alegria. A cada relâmpago, uma história. Começo, meio e fim. No começo tudo é, e tudo acaba, acaba bem. Por exemplo: a chuva cai e então é preciso contar uma história, pois a chuva cai. A história seria: o sol sente dor e fica com raiva, e começa a rugir. Caça briga com as nuvens e com os outros astros do céu, que são mais fracos mas são muitos e acabam vencendo o sol, que, na luta, perde alguns pedacinhos. Os pedacinhos do sol riscam o céu de dourado. São relâmpagos. As nuvens ficam assustadas e começam a chorar. A lua também sente medo, fica com pena das nuvens e também chora. O céu todo se encolhe assustado com a confusão que a raiva do sol causa. O sol tem medo de dor porque se imagina sempre forte e poderoso, e por isso uma coisinha de nada, assim tipo, se a terra esquecer-se de lhe dar ‘bom dia!’, pronto! Já se sente todo dolorido... E dor de sol, lá vem chuva. Formam-se enxurradas verticais, do céu até a terra. É assim, no começo, toda chuva é lágrima da gente do céu. O sol é muito ligado a terra, sabe que seu destino é viver junto dela, a terra é manhosa e provoca a ira do sol com desdém. Acontece que a terra gosta das lágrimas da gente do céu, ela recebe esta chuva de lágrimas e se engravida delas. A terra gosta de ser mãe, por isso vez em quando provoca a ira do sol; só pra que ele chore. E chova, e ela se engravide. Logo que passa a tempestade, a terra floresce e tudo fica lindo. O sol se apaixona, esquece que chorou e brinca com os frutos da terra.
Desconfiada me calo e levantando a cabeça olho pra ele. Está sossegado; com delicadeza, reacomoda minha cabeça no seu peito e com a ponta do dedo começa a acompanhar uma gota de suor que escorrega pela minha nuca. Sorri entre lábios e diz que eu continue. Digo que antes de continuar preciso fazer uma confissão. Ele me concede, e então espreguiço com vagar, me estendo como um felino, e digo:

- Se as amizades vacilam, qualquer bleatlesong me consola. Não me sinto só, entende? Depois que existem as canções nada mais se pode pedir.

- The dream is over... E o que é que isto tem a ver com seu romance?

- Tudo. Me ensinam a sonhar. O John tava blefando quando falou isso, era uma provocação, como só ele sabia fazer.

- Ah... Continue.


Magda Maria Campos Pinto

Reverenciamos:


“ (...) palavra, Vejo, diziam-na os que já tinham recuperado a vista, diziam-na os que de repente a recuperavam, Vejo, vejo, em verdade começa a parecer uma história doutro mundo aquela em que se disse, Estou cego. O rapazinho estrábico murmurava, devia de estar metido num sonho, talvez, estivesse a ver a mãe, a perguntar-lhe, Vês-me, já me vês. A mulher do médico perguntou, E eles, e o médico disse, Este, provavelmente, estará curando quando acordar, com os outros não será diferente, o mais certo é que estejam agora mesmo a recuperar a vista, quem vai apanhar um susto, coitado , é o nosso homem da venda preta. Porquê, Por causa da catarata, depois de todo o tempo que passou desde que o examinei, deve estar como uma nuvem opaca. Vai ficar cego. Não, logo que a vida estiver normalizada, que tudo comece a funcionar, opero-o, será uma questão de semanas, Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão. Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.
A mulher do médico levantou-se e foi à janela. Olhou para baixo, para a rua coberta de lixo, para as pessoas que gritavam e cantavam. Depois levantou a cabeça para o céu e viu-o todo branco. Chegou a minha vez, pensou. O medo súbito fê-la baixar o os olhos. A cidade ainda ali estava.”

In Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago, Companhia das Letras, SP, 2008.
José Saramago, romancista, dramaturgo e poeta português. Prêmio Nobel de Literatura de 1998. Nossa reverência.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

e eu...


Já não temo fantasmas

invoco a todos

que venham em bando

povoar meus dias

atormentar minhas noites



Entre tantos loucos e livres

existe um que é doce e que me falta.

(Alice Ruiz)

Joyce, forever....


O Bloomsday é um feriado comemorado em 16 de junho na Irlanda em homenagem ao Ulisses, de James Joyce. É o único feriado em todo o mundo dedicado a um livro, excetuando-se a Bíblia.

O Bloomsday é comemorado todos os anos pelos amantes da literatura com diversos eventos oficiais e não oficiais em vários lugares e em várias línguas. Em comum entre os muitos dedicados entusiastas e simpatizantes envolvidos nestas comemorações há o esforço por relembrar os acontecimentos vividos pelos personagens de Ulisses pelas dezenove ruas da cidade de Dublin.

Ulisses relata a odisséia do personagem Leopold Bloom durante 16 horas do dia 16 de junho de 1904, e é considerada um dos marcos da contemporânea. Este dia foi escolhido por Joyce por ter sido o dia de seu primeiro encontro com a futura esposa. Hoje o Bloomsday é uma festa inserida no calendário cultural de vários países e cidades – incluindo Belo Horizonte, há alguns anos neste dia se encontram referências e reverências ao Ulisses em muitos pontos da cidade. Ulisses de Joyce é um ‘fato’ (quisera eu criar a palavra justa) literário único; poucos – é possível dizer isso – leram ou lêem Ulisses, mas todo mundo sabe dele, e até o comemora.

James Augustine Aloysius Joyce nasceu em Dublin em 2 de fevereiro de 1882 e morreu em Zurique em 13 de janeiro de 1941. Viveu expatriado, mas a Irlanda está presente em sua temática e ambientação. O livro de contos Dublinenses (1914), os romances Retrato do Artista quando Jovem (1916), Ulisses (1022) e Finnegans Wake (1939) formam o que se pode chamar de ‘cânon joyceano’.

O método joyceano dos fluxos de consciência, alusões literárias e livres associações oníricas foi levado até o limite em Finnegans Wake, que abandonou todas as convenções de construção de enredo e personagem e é escrito numa linguagem peculiar e árdua, baseada principalmente em complexos trocadilhos de múltiplos níveis. Esta abordagem é similar à usada por Lewis Carrol em Jabberwocky, mas muito mais extensa e elaborada. Se Ulisses é um dia na vida de uma cidade, o Wake é uma noite e compartilha da lógica dos sonhos. Isto fez com que "Livro Azul inutilmente ilegível, numa tradução simples", a freqüentemente citada descrição de Ulisses no Wake, fosse aplicada por muitos leitores e críticos ao próprio Wake. Entretanto, foi-se chegando a um consenso sobre o elenco central de personagens e enredo geral.

Além do uso freqüente de neologismos e arcaísmos, muito do jogo de palavras do livro enraíza-se no uso de trocadilhos multilíngües que conectam uma gama de idiomas. O papel de Beckett e outros assistentes incluiu reunir palavras destes idiomas em cartões para Joyce usar e, à medida que a visão do autor piorava, escrever o texto enquanto ele ditava.

A visão de história proposta neste texto sofre influência forte de Giambattista Vico e a metafísica de Giordano Bruno é importante para as inter-relações dos "personagens". Vico propunha uma visão cíclica da história, na qual a civilização se erguia do caos, passava por fases teocráticas, aristocráticas e democráticas e retornava novamente ao caos. O exemplo mais óbvio da influência da filosofia cíclica da história de Vico encontra-se nas sentenças de abertura e fechamento do livro. Finnegans Wake começa com as palavras (na tradução brasileira de Donaldo Schuler): “aqui, pretendo citar um trecho da tradução. Já foi feito o contato com a editora para solicitar a permissão por escrito”. Em outras palavras, a primeira sentença começa na última página e a última sentença na primeira, tornando o livro um grande ciclo. Inclusive, Joyce disse que o leitor ideal do Finnicius sofreria de uma "insônia ideal" e, ao completar o livro, retornaria à página um e começaria novamente, e assim por diante num ciclo infinito de releituras. Inclusive, a tradução proposta para o título remete a fim + início, com o us no final podendo aludir a línguas como o latim e o francês, referidas também no original (fin-again, fim-de-novo).

A obra de Joyce foi submetida a pesquisas intensas por estudiosos de todos os tipos, e ele é um dos autores mais notáveis do século XX. A influência de Joyce também se faz sentir em campos alheios à literatura. A frase "Three Quarks for Muster Mark", no Finnegans Wake, é a fonte para a palavra quark, na Física, que designa um dos muitos tipos de partícula elementar.


sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ser Tão!!


“Ah, mas, então, do sobredentro de minha s idéias (...) uma minha-voz, vozinha forte demais, suministrou um cochicho. (...) Ah, um recanto tem, miúdos remansos, aonde o demônio não consegue espaço de entrar, então, em meus grandes palácios. No coração da gente, é que eu estou figurando. Meu sertão meu regozijo!


in Grande Sertão:Veredas, Guimarães Rosa

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Convite


Vamos nos reunir no quintal nesta sexta-feira, dia 11, entre 14 e 16 hs para começar os preparativos da 2ª Quermesse Quase-Ser-Tão, que vai acontecer no dia 26/11/10.... venha também....opsss.... é... 26/06/10... ué, sô!

PARIS, TEXAS





Porque eu sinto saudade, porque me inspira, porque me obriga a escrever... porque me dá grande prazer. Compartilho.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

CONVITE


CINEMA NACIONAL

A Academia de Cinema Brasileiro premiou ontem, terça-feira (8) com o troféu Grande Otello os melhores do cinema nacional dos últimos dois anos. “É proibido fumar” de Anna Muylaert recebeu cinco prêmios, e é o atual destaque.

Destaco o curta “De volta ao quarto 666”, de Gustavo Spolidoro, que vem acumulando prêmios. A produção é um registro da passagem do cineasta alemão Wim Wenders por Porto Alegre, em 2008. O título é uma referência ao filme “Quarto 666” (1982), no qual Wenders reuniu diretores de várias partes do mundo durante o Festival de Cannes, para falar sobre o futuro do cinema. Confesso que meu destaque se refere antes ao próprio Wenders, e que posteriormente comentarei o curta de Spolidoro.


Eis os vencedores:
Curta-metragem de animação: "O menino que plantava invernos", Victor Hugo Borges
Curta-metragem de ficção: "Superbarroco", Renata Pinheiro
Curta-metragem de documentário: "De volta ao quarto 666", Gustavo Spolidoro
Figurino: Marília Carneiro, por "Tempos de paz"
Maquiagem: Martín Macias Trujillo
Direção de arte: Claudio Amaral Peixoto, por "Besouro"
Direção de Fotografia: Ricardo Della Rosa, por "À deriva"
Montagem de ficção: Paulo Sacramento, por "É proibido fumar"
Montagem de documentário: Karen Akerman, por "Simonal - ninguém sabe o duro que dei"
Efeitos visuais: Marcelo Siqueira, por "Besouro"
Som: Denilson Campos e Paulo Ricardo Nunes, por "Simonal - ninguém sabe o duro que dei"
Trilha sonora: Márcio Nigro, por "É proibido fumar"
Trilha sonora original: Berna Ceppas, por "Simonal - ninguém sabe o duro que dei"
Atriz coadjuvante: Denise Weinberg, por "Salve geral"
Ator coadjuvante: Chico Diaz, por "O contador de histórias"
Prêmio especial de preservação: Alice Gonzaga (escritora, pesquisadora, produtora, diretora e empresária do ramo cinematográfico)
Longa-metragem nacional de animação: "O grilo feliz e os insetos gigantes", de Walbercy Ribas e Rafael Ribas
Longa-metragem infantil: "O grilo feliz e os insetos gigantes", de Walbercy Ribas e Rafael Ribas
Longa-metragem estrangeiro: "Bastardos inglórios", de Quentin Tarantino
Roteiro adaptado: Bosco Brasil, por "Tempos de paz"
Roteiro original: Anna Muylaert, por "É proibido fumar"
Prêmio especial: Anselmo Duarte (1920-2009)
Longa-metragem de documentário: "Simonal - ninguém sabe o duro que dei", de Calvito Leal, Claudio Manoel e Micael Langer
Longa-metragem de ficção nacional (voto popular): "Se eu fosse você 2", de Daniel Filho
Longa-metragem de ficção estrangeiro (voto popular): "Avatar", de James Cameron
Melhor atriz: Lília Cabral, por "Divã"
Melhor ator: Tony Ramos, por "Se eu fosse você 2"
Melhor diretor: Anna Muylaert, por "É proibido fumar"
Melhor longa-metragem de ficção: "É proibido fumar", de Anna Muylaert

terça-feira, 8 de junho de 2010

Zélia: a força da delicadeza. A delicadeza da coragem.



Quase-Ser-Tão: Educação pela arte.

POEMA NOVO



Disco voador


Aterrissou aqui em frente
Quando eu não estava olhando
Não quer ir agora
Isso é muito sério.

Aproveitou as portas abertas
Chegou cansada
Mas não para mais uma dança
Ela não pode resistir.

Posso ver muito
Há apenas cabeças
Estou fazendo força
E subindo depressa.

Ninguém, ninguém
Imagino qualquer coisa
Imagine que posso tudo
Isso é bom.

Quanta luz
Nada tem a ver com o sol
Quanto tempo
Não olhe agora.


É espaço suficiente
Um talvez ainda caiba
Um, no máximo
Amor, no mínimo.

Palavras golpeiam a janela
Ali estão desde ontem
Elas acreditam em mim
Isso é muito importante.

Não posso me esquecer
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver.

Lucas Parma/2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Se tudo parece feio...



The Man of La Mancha – 1972 – direção de Arthur Hiller – Peter O’Toole e Sophia Loren –


Arthur Hiller dirigiu grandes sucessos, presidiu a Academia, teve uma carreira prestigiosa. Entretanto a meu ver nada superou seu trabalho em ‘The Man of La Mancha’. De fato, encontro neste filme aquela conjunção feliz, muitas vezes única, do alinhamento favorável dos astros. Pois então, temos o monumental Cervantes, num roteiro muito bom, que não degrada a obra cervantina e a interpreta de maneira original. Um Peter O’Toole, ator inesquecível, num Quijote insuperável. Sem falar na trilha sonora... Uma canção que já mereceu a atenção do Chico Buarque. E mais, Sophia!, Dulcinéia, Aldonza... Que importa? Pode mudar vidas! Como Cervantes mudou a própria, e continua mudando ao longo dos tempos. Enfim, se faz frio, a noite é escura, tudo parece perdido e o que se tem à mão é um filme, escolha ‘The Man of La Mancha’, e o sol pode aparecer. Não me restam dúvidas que as forças líricas do universo conspiraram na realização deste filme. Contam que Dostoievski teria dito (contam...) que se tivesse que defender a humanidade num julgamento diante de Deus, pediria a este que lesse o ‘Dom Quixote’ de Cervantes. Eu já decidi plagiar Dostoievski e fazer o mesmo se me encontrar numa situação assim (sim, sou pretensiosa). E então, para estimular todo mundo a entrar na loucura salvadora do Cavaleiro da Triste Figura, vai aí a sugestão de começar pelo filme de Hiller. Penso que é um bom começo... E como sabem os devotos do ‘Senhor do Bom Começo’ e os estudiosos de Aristóteles, um bom começo é mais que a metade do caminho.


Impossible Dream:


To dream the impossible dream

To fight the unbeatable foe

To bear with unbearable sorrow

And to run where the brave dare not go

To right the unrightable wrong

And to love pure and chaste from afar

To try when your arms are too weary

To reach the unreachable star

This is my quest
To follow that star

No matter how hopeless

No matter how far

To fight for the right

Without question or pause

To be willing to march, march into hell

For that heavenly cause

And I know
If I'll only be true

To this glorious quest

That my heart

Will lie peaceful and calm

When I'm laid to my rest

And the world will be better for this

That one man, scorned and covered with scars,

Still strove with his last ounce of courage

To reach the unreachable, the unreachable,

The unreachable star

And I'll always dream

The impossible dream

Yes, and I'll reach

The unreachable star


domingo, 6 de junho de 2010

MEU MUNDO SEGUNDO VOCÊ


15.

Wolf chegou triste e nada disse. Quase sempre nada diz. Eu sei quando está triste mesmo assim. Nada muda em Wolf, só muda o cheiro. Quando Wolf está triste ele fica sem cheiro, mas continua bonito e foi assim que descobri os amarantos, as tais flores imarcescíveis. Lindas. Naturalmente secas. Ele não sabe disso. Só não sei se desconfia.

- Fala da história da terra e do sol.

- Não sei se isso vai para o romance.

- Não importa. Conta.

Tive certeza de sua tristeza e de minha profunda necessidade de confortá-lo.

- A verdade, no fundo é que a fome da terra dá vida ao sol, ele gosta de vê-la sugando, ávida, e algumas vezes até se derrete mansamente, sem estardalhaço, entrega-se ao que já sabe inexorável, isto é, despedaçar-se por causa da terra. Mas só algumas vezes ele se rende ao próprio destino, no mais das vezes apronta o maior escândalo, dor de medroso, coisa muito própria dos machos, assim em geral...

Rio entre - dentes, pueril, tentando fazer graça, imitando o Rabugento do Dick Vigarista. Ele se deixa relaxar contaminando-se com minha infantilidade:

- Você bem que gosta.

- Tanto gosta, o sol, não eu, que logo logo, depois da tempestade, ele se recompõe, reaparece bonito e calmo, renovado e feliz. Em meio às tempestades, entre relâmpagos e trovoadas, o meu pai, sábio que sempre foi, dizia: “O sol de depois vai ser bom. Quer ver? Escuta”.

- Tá bom, e depois do começo?

- Bom, depois do começo as coisas se complicam, aquele que, no começo de tudo – no meio da multidão amorfa, lembra? - gritava por liberdade diz que na verdade todo mundo só acorda depois do começo mágico. No tempo da magia, isto é, do começo, não há desejo a desejar porque tudo já aparece aí, pronto e acabado como a chuva. Ele ensina: tudo perfeito e inteiro como a nossa mãe. O mágico é a nossa mãe. O mágico do começo. Conta ele que mãe é assim: ninguém a conhece, ela faz tudo em silêncio, no momento que a gente a descobre, o feitiço se quebra, e ela se torna uma pessoa comum. Fim do tempo da magia; quando o mago vai embora termina o começo, e agora nos resta refazer tudo sozinho, sem magia. Aquilo que o mago fez, ou seja, a mãe, se torna sagrado. Ele diz que sagrado é tudo aquilo que não é da gente. O sagrado é o trabalho da mãe, sabia? Imagina que dificuldade quando a gente acorda! Já pensou como é complicado tratar com o sagrado? Um inferno! O problema maior é que quando acaba a magia da mãe, você tem um nome, mas terá que fazer dele um nome próprio, entende? E vai ter que fazer sozinho, sem magia, e com saudades!. Não é o inferno? O paraíso é assim, você sabe que existe porque o perdeu – quem disse isso? Ahhh... O Proust? É uma lembrança sem imagem, um sabor, ou seja, sabor puro. Agora só o milagre do amor pode sustentar o trabalho insano de viver. O amor não é magia, é trabalho duro. Esta é a história de quem clamava por liberdade. Não sei se vai para o romance.

- Espera: milagre não é sagrado?

- Claro que não! Sagrado é magia, acontece, chega pronto. Milagre é diferente, é trabalho, exige esforço, suor. Milagre é vontade amar, puro trabalho. Não tem nada a ver com a magia da mãe. Por exemplo, escrever é amar, é esforço suado sobre a palavra, à procura de milagre. Dói porque todo esforço esbarra com o sagrado; nosso trabalho é debruçar-se sobre o que não foi feito por nós, e refazer. A nossa raiz escapa sempre; é a tal magia do começo. Entende porque o amor da gente nunca se satisfaz?

- O que é amar???

- É o esforço para viver sem magia, as custas do próprio trabalho.

- Amar dói?

- Claro. Todo esforço dói.

- Mãe não ama?

- Mãe é mãe, ou seja, não é gente, é gênio, é doutra espécie. Quando deixa de ser gênio, - não é coisa fácil, é preciso ter coragem -, e vira gente comum, ela pode amar, ou não. Também irá trabalhar duro se quiser amar seus filhos. Escute: o pior é que nenhum trabalho, por maior que seja, faz tanto quanto fez o materno silêncio mágico criando um mundo sagrado. Significa que por mais milagres que se consiga sobra um resto do sagrado. Por isso, escrever – e outros esforços para se viver do próprio trabalho, é absurdamente interminável, como qualquer maneira de amar. Amar é um esforço eterno de resistência ao sagrado, que nos atrai sempre como um buraco negro.

- Você não ia falar de flores?

- Vou.

Magda Maria Campos Pinto


Convite Imperdível: Novo Cd de Narcotango

Para ver, ouvir e dançar. Quase-Ser-Tão vai:


Destaque:
'Como si' : http://www.youtube.com/watch?v=HPTtqdOYzSM&feature=related

'Mistela' : http://www.youtube.com/watch?v=ALBbVoojbR4&feature=related

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Rosane, inverno, ipês, Rubem Alves.... Clube de Arte Quase-Ser-Tão

“O ritual de amor no inverno espalhará sementes pela terra e a vida triunfará sobre a morte, o verde arrebentará o asfalto. A despeito de toda a nossa loucura, os ipês continuam fiéis à sua vocação de beleza, e nos esperarão tranqüilos.

Três partes de uma brincadeira musical, que certamente teria sido composta por Vivaldi ou Mozart, se tivessem vivido aqui.

Primeiro movimento, "Ipê-Rosa", andante tranqüilo, como o coral de Bach que descreve as ovelhas pastando. Ouve-se o som rural do órgão.

Segundo movimento, “Ipê-Amarelo”, rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com as do ipê, fazem soar a exuberância da vida.

Terceiro Movimento,"Ipê-Branco’, moderato, em que os violoncelos falam de paz e esperança.


Penso que os ipês são uma metáfora do que poderíamos ser. Seria bom se pudéssemos nos abrir

para

o

amor

no

inverno....”

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Para Maggy, com gratidão.



DO FRIO QUE CHEGOU


A cidade sentiu, anteontem, o primeiro arrepio de frio. Ontem sentiu o segundo. Hoje, é possível que não experimente o terceiro (em matéria de temperatura, tudo é possível e até provável), mas de qualquer maneira aí fica esta nota registrando a chegada oficial do inverno de 1930. Doce inverno! Ele veio dar a Belo Horizonte uma fisionomia que só os velhos e verdadeiros amigos da cidade sabem dizer como lhe fica bem. Porque Belo Horizonte, com todo esse verde, com todo esse azul que enche as suas ruas e vai até a indiscreção de penetrar nas suas casas, dá a muita gente a impressão de um paraíso monotonamente primaveril. É verde demais. Azul demais. Assim, só em verso, e o verso não é a substância de que se faz o nosso dia-a-dia terreno. Por isso, acaba enjoando como uma salda de frutas depois de um bombom de chocolate (ou outra salada de frutas).

Pois bem. Belo Horizonte ganha no inverno manhoso e delicioso que costuma ter, uns tons de cinza, veludo e paina que põem uma nota inimitável de melancolia inteligente na sua beleza um pouco literária. Não há com o frio para fazer inteligentes e amáveis as criaturas e as cidades.

O frio já entrou, dizem as vovós cautelosas e meigas que vieram de Ouro Preto e enchem de poesia as tardes tranqüilas do Bairro dos Funcionários. Já entrou o frio, constatam os senhores graves, que têm dinheiro nos bancos e usam grossos sobretudos importados da Inglaterra e outros climas de lã. Chegou o frio! Gritam as meninas espevitadas que vivem entre um blues de vitrola e um talkie do Avenida e reclamam agasalhos caríssimos de seus respectivos papais. Mas como tudo isso é gostoso e como nos faz querer bem ao frio, esse doce frio mineiro, que reúne no mesmo pensamento as mais diversas pessoas e nos consola de todos os crimes, desastres e falências que há por aí...

Traço diferencial do inverno de 1930: a boina. Todas as meninas estão andando de boina caída na cabeça, e estão cada vez mais irresistíveis. Há de toda as cores (afinal o inverno na é lá tão cinzento) e mesmo de várias core cada uma, e todas interessantíssimas, como tudo que é enfeite ou invenção do bicho-mulher, criado para virar o juízo do bicho-homem, o mais ridículo e menos feliz dos bichos...

E viva o frio.



In Carlos Drummond de Andrade, Crônicas, 1930-1934; edição comemorativa dos 85 anos do poeta, BH, Associação Governo do Estado, Secretaria de Estado da Cultura, BDMG e Arquivo Público Mineiro.