terça-feira, 31 de agosto de 2010

Claro enigma, Caro Drummond, sou moderno, oh céus... agora serei eterno:


‘O trabalho hercúleo de Baudelaire teria sido o de, a partir dos restos e fragmentos das formas de vidas obsoletas, catados no lixo das ruas, “dar forma à modernidade”, de modo que ela viesse, por fim, a se tornar antigüidade. Teria o poeta, encarnação moderna do herói, pago com a melancolia o preço de sua escolha? Ou a solução poética encontrada por Baudelaire, a invenção de uma lírica “fundamentada em uma experiência para a qual o choque se tornou norma”, poderia ser entendia como tentativa de cura para a melancolia?”

In O tempo e o cão – a atualidade das depressões, Maria Rita Kehl, Boitempo Editorial, 2009.

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