quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Temos pensado...


“Não vai acabar nunca; porque Blank é um de nós agora, e, por mais que se debata, tentando entender sua sorte, estará sempre no escuro. Creio que falo por todos os seus pupilos quando digo que ele está tendo o que merece – nem mais nem menos. Não como forma de punição, e sim como um ato de suprema justiça e compaixão. Sem ele, não somos nada, mas o paradoxo é que nós, fantasias de outra mente, sobreviveremos à mente que nos fez, porque, uma vez atirados no mundo, continuamos a existir para sempre, e nossas histórias prosseguem sendo contadas, mesmo depois que morremos.”


In Viagens no Scriptorium, Paul Auster, Companhia das Letras, RJ, 2007.
Paul Auster nasceu em 1947 em Nova Jersey, onde vive. Estudou e fez literatura toda sua vida. Publicou ensaios, memórias, poesia e ficção, além de roteirizar e dirigir filmes. Dele já se publicou no Brasil: A invenção da solidão, Leviatã, O livro das ilusões, a Trilogia de Nova York, entre outros. Viagens no Scriptorium é antes de tudo uma intuição perspicaz do embaraço da existência humana com a linguagem. Da linguagem escrita com a história. Do indivíduo com todos. Da mente com os sentimentos. Viagens imperdíveis. Anote aí.

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