terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mais exatamente, agora...



“O escritor e as viagens: Bem ou mal, o escritor verdadeiro escreveu sobre a realidade que sofreu e mamou, isto é, sobre a pátria; embora, às vezes, pareça fazê-lo sobre histórias distantes no tempo e no espaço. Creio que Baudelaire disse que pátria é a infância. E me parece difícil escrever algo profundo que não esteja unido de uma maneira aberta ou emaranhada à infância. Por isso, mesmo os grandes expatriados, como Ibsen ou Joyce, continuaram tecendo ou destecendo esta mesma e misteriosa trama. Viajar é sempre um pouco superficial. O escritor de nosso tempo deve afundar na realidade. E, se viaja, deve ser para afundar, paradoxalmente, no lugar e nos seres de seu próprio rincão. O principal problema do escritor: Talvez seja o de evitar a tentação de juntar palavras para fazer uma obra. Disse Claudel que não foram as palavras que fizeram A ODISSÉIA, mas o contrário”.


In O escritor e seus fantasmas, Ernesto Sábato, Francisco Alves, RJ, 1982.

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