quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MEU MUNDO SEGUNDO VOCÊ.


21.

- E a história da mulher?
- A história da mulher é a historia da descoberta de que a única reconstrução legítima do mundo é a reconstrução da palavra, isto é, o contrário do isolamento...
- Puta que pariu!
- Se conseguirmos contar isso, pode se tornar uma história de formação..
- Gostei do ‘se conseguirmos’...
- É sempre o problema dele, o problema da educação.
- Tudo pelo social.
- Merda...
- Uhhh, isto dá tese.
- Estou obcecada pelas partes, é uma droga, não me importa mais o inteiro.
- Hummm. Então não escreva, desista!
- Por quê?
- Cacete... parte não é legível!
- É. Parte é tudo.
- Eu não concordo.
- Não convence, não é plausível, questão de inteligência.
- Ficção é sempre delirantemente verdadeira, não é questão de inteligência...
- Todo princípio é absurdo.
- Adorei isso.
- Cínico!
- Só existe o relato da coisa. “Meus gritos afro-latidos, implodem, rasgam, esganam, e nos meus dedos dormidos, a lua das unhas gane... e daí?”. Amo o Milton Nascimento.
- Odeio o Milton Nascimento.
- História que não é contada não existe?
- Uhhhhh.
- A palavra é o umbigo da mulher.
- Espera, está confundindo.
- Não é confusão, é isso mesmo, história é um relato.
- É o prefácio.
- É esse o meu querer.
- Dignidade ao prefácio.
- Grande novidade!
- Eu sei.
- A mulher tem mais de cinqüenta anos.
- Tou cheio da juventude.
- Cínica.
- E começa a se desintegrar.
- Por quê?
- Falta uma palavra para a morte.
- É idiotice dizer que a fantasia não existe porque é secreta.
- Essa é a idéia.
- Ninguém disse isso.
- Eu disse que o não compartilhado não existe.
- Quero entender. É preciso uma palavra para a morte existir, morte que não existe elimina a vida, isto é, o prefácio. Logo, quem salva o prefácio é o ponto final.
- Uma autodelimitação! Ah, me poupe.
- Simples.
- Então, ela procura um homem para compartilhar sua inocência. E como toda histérica enlouquece por isso. Um homem que possa morrer por ela.
- Não banaliza!
- Pode-se buscar alguém para morrer. Talvez seja a causa do amor, a morte. Amor e morte pedem testemunhas.
- Wolffffff!!!!!!!
- A música acabou. O que você quer ouvir?

Magda Maria Campos Pinto

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