domingo, 12 de setembro de 2010

Ponto:

“ ‘Estamos hoje tão apartados das culturas que foram nossas raízes quanto das culturas que sempre nos foram estranhas’, escreveu Paul Ricoeur ao comentar os diferentes modos de percepção do tempo, da Antiguidade até os nossos dias, quando o tempo em que estamos mergulhados é determinado pela ‘primazia da mediação tecnológica sobre todas as outras relações do homem com a natureza’. (...) São escassas as ocasiões que nos permitem outras formas de vivenciar os ritmos do corpo e os estados da mente que não os das sensações fugazes, das percepções e das decisões instantâneas. Em tais condições, sofre-se a falta do “tempo de compreender”, a partir do qual o sujeito do desejo pode emergir como sujeito de um saber sobre si mesmo. O dispositivo psicanalítico oferece àqueles que o procuram, entre outras coisas, uma possibilidade de experimentar outra temporalidade, diferente daquela marcada pelos relógios e regulada pela urgência das demandas da vida prática. Uma temporalidade mais próxima da temporalidade da pulsação do sujeito do inconsciente”.
in O tempo e o cão - a atualidade das depressões, Maria Rita Kehl, Boitempo Editorial,SP,2009


(foto por Gregory Colbert)

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