segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Comemorando o dia do médico:



(...) “No trecho citado no início deste capítulo, Benjamin se refere à desmoralização da experiência. O que seria uma experiência desmoralizada? Uma vivência que não pode ser compartilhada, da qual não se tira lição alguma, excluída do campo humano de produção de sentido. Em Benjamin, a idéia de experiência se refere às vivências comunicáveis. Sua tese é que a modernidade, ao transformar as condições do convívio humano que tornavam possível a transmissão do vivido na forma das narrativas, destruiu a qualidade da experiência. Não devemos perder de vista a hipótese de que tais transformações das condições do convívio estão na origem do sujeito da psicanálise, o neurótico moderno por excelência. Se o liberalismo moderno representou uma enorme expansão no campo da liberdade individual de escolhas de destino, tal alargamento no horizonte dos possíveis cobrou seu preço em termos de desamparo e alienação. O neurótico moderno suporta mal as condições de seu ganho de liberdade, sobretudo porque uma parte desse ganho lhe é expropriada pelo aumento da velocidade. Ao desconhecer os termos do testamento que determina a herança simbólica de seus antepassados, ao representar-se como autor solitário de sua história de vida e de sua escolha de destino em um mundo que torna obsoletos os ensinamentos e as experiências transmitidas pelas gerações anteriores à sua, o sujeito moderno negocia seu desejo na moeda da culpa neurótica.”
In “O tempo e o cão - a atualidade das depressões”, Maria Rita Khel, Boitempo Editorial, SP, 2009. (grifos meus)

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