sábado, 9 de outubro de 2010

De prêmios, de lutas, de vidas, de amores, de letras... De Política! Graças a Deus!

Então, conheci Mário Vargas Llosa em junho de 1981 quando li Conversa na Catedral, e aconteceu aquilo que me acontece no percurso de leitor compulsivo. Devorei. Naquele tempo eu estava enamorada da literatura latino-americana como todo mundo: Garcia Marques, Borges, Neruda, Guillén, Cortazar, Galeano, Benedetti e tal... Mas tive certeza que Llosa se distinguia pra mim, como também se distinguia o argentino Ernesto Sábato. Não falo de melhor, pior, mais isso ou mais aquilo... Coisa incabível quando se fala de literatura. Apenas se distinguiam. Pronto. E eu gostei. Depois, me encontrei com ‘A guerra do Fim do Mundo’, outro momento forte. Foi ótimo experimentar história brasileira, Euclides da Cunha, e a seriedade realista de Llosa, para descobrir, pouco depois, que Os Sertões também inspirariam Sandor Marai, com quem me encontraria noutra esquina, noutro tempo, num insuperável ‘DE VERDADE’. Bom, em 2005 topei com A verdade das mentiras, e novamente bebi da generosidade de Llosa. Pois é, em 89 eu votei pela primeira vez para presidente da república e vivi muitos estarrecimentos: cai o muro na Alemanha, ufa!, e os estudantes chineses são massacrados na praça Celestial. Irônica, no mínimo, a vida. E um poeta – sempre, um poeta! – pára tanques de guerra com um pedido: ‘por favor, não façam isso’. Mas eles fizeram, e fazem sempre. São surdos. Iletrados, quem sabe? Ah, pois é, me lembro agora que em outubro de 1967, uma criança – que era eu – ficou estarrecida com notícias de um assassinato nas selvas da Bolívia, e que uma jovem – que também era eu - reviveu outro terror em dezembro de 1980 com o assassinato do poeta hippie ativista, e também músico, John Lennon. E agora, prêmio Nobel de Literatura, Mário Llosa. Prêmio Nobel da Paz 2010, Liu Xiaobo. Claro que tudo é política... que assim seja, ou volte a ser, questão de poesia.

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