quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mais sobre o escrever...

(óleo sobre tela de Sabrina Hemmi)

HENRY MILLER

“O escrever, como a própria vida, é uma viagem de descobrimento. A aventura é de caráter metafísico: é uma maneira de aproximação indireta da vida, de aquisição de uma visão total do universo, não parcial.”
“Frequentemente escrevo coisas que não entendo, embora certo de que logo me parecerão claras e significativas. Tenho fé no homem que está escrevendo, no homem que sou eu, no escritor. E não creio nas palavras mesmo quando as junte um homem mais destro: creio na linguagem, que é algo que está além das palavras, algo do qual as palavras não oferecem mais que uma inadequada ilusão. As palavras não existem separadamente senão nos cérebros dos eruditos, filólogos, etimólogos, etc. As palavras divorciadas da linguagem são coisa morta e não entregam segredos”.
“Como o princípio prístino do universo, como o inconcebível Absoluto - o Um , o Todo -. Assim é o criador, ou seja, o artista se expressa a partir e através da imperfeição. Esta é a tela da vida, o verdadeiro signo do vivente.”
“A arte nada ensina, senão a significação da vida. A grande obra há de ser inevitavelmente obscura, exceto para um punhado de homens, para aqueles que, como próprio autor, estão iniciados nos mistérios”.
“Uma vez que a arte se torne verdadeiramente aceita, deixará de sê-lo. Constitui apenas um substituto, uma linguagem simbólica que substitui algo que há de ser captado diretamente. Mas para que isto seja possível, o homem há de se transformar em um ser cabalmente religioso e não simplesmente em um crente, em um motor primeiro, em um deus em ato. Inevitavelmente chegará a sê-lo. E de todos os rodeios ao longo desta senda, a arte é o mais glorioso, o mais fecundo, o mais instrutivo.”
Citado em "O escritor e seus fantasmas", Ernesto Sábato, Francisco Alves, RJ, 1982.
(Ernesto Sábato, óleo sobre tela)

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