quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Para Amel: Beckett 2


“(...) momentos passados velhos sonhos de volta outra vez ou novos como os que passam ou coisas coisas sempre e memórias eu as digo como ouço murmuro-as na lama


Em mim que estavam fora quando a ofegação pára sobras de uma voz antiga em mim não minha


Minha vida último estado última versão mal-dita mal-ouvida mal-recapturada mal-murmurada na lama breves movimentos da face inferior perdas por toda parte


Registrada entretanto é melhor de algum modo em algum lugar como está como surge minha vida meus momentos nem a milionésima parte tudo perdido quase tudo alguém ouvindo outro anotando ou o mesmo (...)”


In Como é, Samuel Beckett, Iluminuras, SP, 2003.

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