quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Boa leitura! Mais que isso...

(óleo sobre tela de Sabrina Hemmi - conheça: www.sabrinahemmi.com)


(...) “Eu acho que a mulher sai durante o dia! Vou contar por que – em segredo: eu a vi!
Posso vê-la por qualquer uma das minhas janelas!
É a mesma mulher, eu sei, porque ela está sempre rastejando, e a maioria das mulheres não rasteja por aí à luz do dia.
Eu a vejo na longa alameda sombreada, rastejando para um lado e para o outro. Vejo-a por entre as parreiras, rastejando em volta do jardim.
Eu a vejo naquela longa estrada, embaixo das árvores, rastejando, e quando uma carruagem passa, ela se esconde embaixo da amoreira. Não a censuro nem um pouco. Deve ser muito humilhante ser apanhada rastejando, em plena luz do dia!
Eu sempre tranco a porta quando rastejo durante o dia.” (Charlotte Perkins Gilman, O papel de parede amarelo)


In Freud e O Estranho, Contos fantásticos do Inconsciente, Casa da Palavra, RJ, 2007.

ps. obrigada, Débora F.

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