terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Para o Paulo:


“Aos olhos de Vassili Kaschirin, condenado à morte pela forca, tudo adquiriu um aspecto pueril: a cela, a porta com o seu postigo, o velho relógio que sempre davam corda, a fortaleza com seus tetos cuidadosamente modelados e, acima de tudo, o boneco mecânico, munido de fuzil, que ia e vinha pelo corredor, assim como todos os outros bonecos que o espantavam olhando pelo postigo e estendendo-lhe o alimento, sem dizer palavra.
O que ele experimentava não era horror perante a morte. Ele até a desejara. A morte, em sua misteriosa e eterna incompreensão, era mais clara para ele do que todo aquele mundo que se agitava em redor, como um desfile de fantasmas. Ainda mais: a morte aniquilara-se completamente neste mundo de fantasmas e bonecos, perdia o seu supremo e misterioso sentido, tornando-se uma coisa mecância e, apenas paor isso, horrível: prender, conduzir, enforcar, puxar pela perna, cortar a corda, pôr dentro de um caixão, transportar, enterrar.
Um homem tinha desaparecido.”



In Os sete enforcados, Leonid Andreiev, Grandes Romances Universais, W.M. Jackson Inc. Editores, S. P. 1955.
Sim, sim. Andreiev é um dos grandes, e talvez este conto seja uma das obras primas do gênero. Ele, o conto, foi dedicado ao Leon Tolstoi, talvez o maior. Faça ótimo proveito. Ele é um gênio. Podemos trabalhá-lo na próxima oficina. Gracias.

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