terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Uma leitura em janeiro:

Soprou, nunca do nada, o passado. Um traço de cobrança, dívida antiga, esquecida, oitenta e sete, ou oito... Talvez. Chegou agora, e é bom. Vamos lá.


Georges Perec – A vida modo de usar –

1.
(...) “Podemos deduzir daí algo que é, sem dúvida, a verdade última do puzzle: apesar das aparências, não se trata de um jogo solitário – todo gesto que faz o armador de puzzles, o construtor já o fez antes dele; toda peça que toma e retoma, examina, acaricia, toda combinação que tenta e volta a tentar, toda hesitação, toda intuição, toda esperança, todo esmorecimento foram decididos, calculados, estudados pelo outro.”


Georges Perec - (7 de março de 1936- 3 de março de 1982) romancista, roteirista e ensaista francês. Inovador. Considerado por alguns o maior romancista francês do século XX. Filho de família judaico-polonesa, encontrou-se órfão já na primeira infância. Foi paraquedista do exército e pesquisador em neurofisiologia. Com o sucesso do livro La Vie mode d’emploi, publicado em 1978, deixa os outros trabalhos e se dedica à literatura.
Passa os últimos 6 anos de sua vida com a cineasta Catherine Binet, tendo produzido o filme Les Jeux de la comtesse Dolingen de Graz. Morre em 3 de março de 1982 e é enterrado no Cemitério do Père-Lachaise. Possui uma série de textos publicados postumamente.
A obra escrita por Perec é permeada de engenhosos jogos de palavras, exercícios de escrita constrangida e reflexões sobre o estilo.
Georges Perec torna-se conhecido desde a publicação de seu primeiro romance, Les Choses. Uma história dos anos 1960, publicada por Maurice Nadeau na coleção Lettres Nouvelles da editora Julliard. Esta obra que retrata um tempo na fronteira da sociedade de consumo. O romance, Un Homme qui dort, é um retrato da solidão urbana inspirado tanto por Kafka e por Bartleby de Melville, acabando de classificar Perec na categoria dos inclassificáveis.
O que o lançamento de La Disparition acaba por confirmar. Além da extravagante proesa deste romance (La disparition é um romance onde desaparece a letra e, vogal mais utilizada no francês) as contorções à que a língua é submetida neste romance são à altura da sua temática: a ausência e a dor que ela causa.
Como outros autores dos anos 1960, Perec tem igualmente uma atividaderadiofônica, escreve para o teatro e publica ensaios. Após o lançamento de La disparition, Georges Perec publica em co-autoria um tratado sobre o Go, jogo que praticava frequentemente. Go, Weiqi ou Baduk é um jogo estratégico de soma zero, de informação perfeita para tabuleiro, em que duas pessoas posicionam pedras de cores opostas. Sua origem vem da antiga China, há cerca de 5 mil anos. Popularizou-se no Japão.

http://www.youtube.com/watch?v=UpKAKuN5G8k

GO

Obrigada, Ananias.

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