domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ainda estou no cinema...


O discurso do Rei lembrou-me de que... ‘de tudo se faz canção’ (aproveito e repito: viva Milton e Lô). A gagueira do herdeiro do trono inglês é um assunto esquisito... E se tornou um belo filme. Simples, elegante, quase (?) minimalista, e belo, muito belo. Este assunto ‘esquisito’ revela o que realmente importa. Sem mirabolâncias e grandiosidades; sem efeitos especiais nem magias, a emoção está lá. O indivíduo e sua sujeição. Sua solidão e impotência. A responsabilidade e o direito. Não se poderá dizer que o filme é superficial; ele emocionantemente simples. E o trabalho dos atores beira a perfeição. Helena Bonham Carter prova que não vêm de Tim suas melhores atuações. Geoffrey Rush continua construindo uma poderosa carreira (embora depois de Shine, ele não precise provar mais nada. E não nos esqueçamos de Os piratas do Caribe, revelando assim sua versatilidade). E Colin Firth, bom, este tem direito ao prêmio maior. Brilha forte e se destaca entre estrelas poderosas . O filme é delicado, complexo, e extremamente bem feito. Tom Hooper é um jovem diretor, mas demonstra bom gosto e competência, além de audácia e confiança em Firth, já que sua câmara abusa da expressividade deste. São closes impagáveis, e diálogos puros e diretos. E o filme cresce. O discurso do Rei é de um capricho extraordinário. Penso em audácia de Hooper quando ele centra o filme na luta de um indivíduo consigo mesmo, e faz da segunda guerra ou das antigas (e adoradas) estripulias da corte inglesa, por exemplo, mero pano de fundo. Certamente isso irritará críticos empedernidos. Os mesmos que vão ‘psicanalizar’ a relação que ali se estabelece e a catarse que é provocada. Digo psicanalizar porque, hoje, não há como não ‘ler’ psicanálise ali, mas longe da selvageria psicanalítica que muitos críticos usam para degradar ou exaltar filmes, a competência de Hooper também aparece ao deixar tudo ‘rolar’ espontaneamente, no cotidiano nosso de cada dia (no caso, de reis, naturalmente), aquele cotidiano que tanto atraiu e fez de Sigmund, o nosso (meu?) genial Freud. Emocionante. Comovente. Limpo. Adjetivos grandiosos nestes nossos dias de plástico.

Pela brincadeira: O discurso do Rei: 9,0

Colin Firth: 9,5


Em tempo: A academia britânica de cinema (BAFTA) entrega seus prêmios hoje, dia 13 de fevereiro.

Concorrem:

Melhor filme:A Origem, O Discurso do Rei, A Rede Social, Bravura Indômita, Cisne Negro

Melhor Filme Britânico: 127 Horas, Another Year, Four Lions, O Discurso do Rei,
Made In Dagenham

Melhor Diretor: Danny Boyle – 127 Horas; Chris Nolan – A Origem:Darren Aronofsky – Cisne Negro; Tom Hooper – O Discurso do Rei; David Fincher – A Rede Social

Melhor Filme Estrangeiro: Biutiful (México); Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Suécia); I Am Love (Itália); De Homens e Deuses (França); O Segredo dos Seus Olhos (Argentina)

Melhor Animação: Toy Story 3; Como Treinar Seu Dragão; Meu Malvado Favorito

Melhor Ator: Jesse Eisenberg – A Rede Social; Javier Bardem – Biutiful; Jeff Bridges – Bravura Indômita; James Franco – 127 Horas; Colin Firth – O Discurso do Rei

Melhor Atriz: Natalie Portman – Cisne Negro; Annette Bening – Minhas Mães e Meu Pai; Julianne Moore – Minhas Mães e Meu Pai; Noomi Rapace – Os Homens que Não Amavam as Mulheres; Hailee Steinfeld – Bravura Indômita

Melhor Ator Coadjuvante: Christian Bale – O Vencedor; Andrew Garfield – A Rede Social; Geoffrey Rush – O Discurso do Rei; Pete Postlethwaite – Atração Perigosa
Mark Ruffalo – Minhas Mães e Meu Pai

( olha Iñarritu aí novamente...)

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