terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Bale: primeiro capítulo ou ... à procura da vida real, ou quem sabe, uma epifania. Ou talvez, promessa é dívida.


Christian Bale (nasceu Christian Charles Phillip Bale, no país de Gales em 30/01/1974): "Só existe um motivo para falar sobre um filme antes de ele estrear: para as pessoas saberem que vai estrear”; "Quero que as pessoas vejam os filmes que faço. Se soubesse que o iam ver sem dar entrevistas, nunca mais faria uma na vida." Neste momento, o das entrevistas, Bale consegue ser simpático, mas nunca acessível, fica muito longe daquela fingida intimidade que a maioria dos famosos procura demonstrar com a imprensa. Bale não fala de si, de sua vida pessoal, restringe-se à ‘ profissão pateta’ (sic) de ser ator.


Dirigido por David O. Russell o filme, O Vencedor, era uma paixão antiga de Mark Wahlberg, produtor e protagonista, no papel de Micky Ward, antigo campeão de boxe e herói local na cidade operária de Lowell, Massachusetts. Inspirado em uma história real, Bale interpreta Dicky Eklund, treinador e meio irmão de Micky, cuja carreira descarrilou com a dependência de drogas.Dicky é outra aventura para o ator britânico, de 36 anos, que construiu uma série de personagens assombradas e intimistas. Em "O grande golpe – The Prestige - " (2006), de Christopher Nolan, foi o competente contraponto ao ilusionismo ostentoso de Hugh Jackman. No remake que James Mangold fez em 2007 do western "Os Indomáveis" interpretou o herói lacônico em oposição ao ladrão carismático de Russell Crowe. Em "Inimigos Públicos" (2009), de Michael Mann, fez o agente do FBI que persegue John Dillinger (Johnny Depp). E nos dois Batman de Nolan, "Batman - O Início" (2005) e "O Cavaleiro das Trevas" (2008), Bale constrói um super-herói estóico, reprimido, neurótico.De fato, Bale ‘desaparece’ e é possuído pelos personagens que interpreta de maneira surpreendente, quase assustadora.
Foi Wahlberg quem escolheu Bale para o papel em "The Fighter” (O vencedor – ai! As nomeações dos filmes no Brasil continuam sendo piadas, de mau gosto) . "Ele tem a disposição de chegar a lugares e situações onde outros parecem relutantes a ir", considera Wahlberg.
A transformação no rijo e envelhecido Dicky é do mesmo tipo de outras façanhas físicas de Bale: o entusiástico e presunçoso lunático de "Psicopata Americano" (2000) ou assustador esquelético de "O Maquinista" (2004).Eklund guiou Bale pelos locais que frequentava em Lowell enquanto o ator tirava notas e gravava conversas. O realizador David O. Russell observa que a tarefa de Bale envolvia muito mais do que imitação. "Dicky possui um ritmo próprio, uma música, uma linguagem tão sua que diziam que se expressava em dickynês", diz. "Christian teve de compreender como funcionava a mente dele."O exemplo mais impressionante da imersão a fundo num personagem permanece em "O Maquinista", que o apresentou ao que ele classifica como "um nível de empenho que acabei por apreciar bastante." Perder um terço do seu peso para um papel pode parecer um exagero mórbido do ator, mas Bale fala disso como um ritual de purificação. "Precisava disso", diz. "Sentia que estava num impasse e aquele filme rejuvenesceu-me.

Nascido numa família nômade - o pai era piloto, a mãe artista de circo - Bale é ator desde criança. O papel que o revelou veio aos 13 anos, em "O Império do Sol", de Steven Spielberg. Quando Nolan conheceu Bale, este estava preparando-se para "O Maquinista". Estava tão magro que Nolan assustou-se vendo-lhe os ossos sob a pele. "Lembro-me que Christian estava preocupado porque estava num encontro para se candidatar a um papel de super-herói", recorda Nolan. "Mas saí dali pensando que nunca tinha visto tal concentração e dedicação num ator."Depois do sucesso de Batman, veio o drama sobre prisioneiros de guerra de Werner Herzog, "Rescue Dawn - Espírito Indomável" (2006). Rodar o filme na selva da Tailândia foi mais um desafio e também uma aventura. “É o melhor que pode acontecer a um ator”; "Não controlo o resultado final. “O processo, sim, é uma oportunidade de ter experiências e testar-me”, diz Bale. E mais: “Sou um ator, não uma estrela de cinema”. Protege a sua vida pessoal - ele e a mulher, Sibi Blazic, juntos há dez anos têm uma filha de cinco anos - e, salvo o ataque de fúria em "Exterminador Implacável" (não justifica a fúria, mas demonstra sua relação, eu diria dolorosa, com sua bem sucedida profissão, não nos esqueçamos que já aos 13 anos, era um astro e perseguido como tal. E não podemos dizer que se deixou incinerar, pelo contrário, reagiu, e se tornou uma personalidade, coisa atualmente muito confundida com celebridade, que, confesso, não sei bem do que se trata). e as alegações de agressão verbal à mãe e à irmã em 2008 (as acusações foram retiradas), não tem recebido atenção dos tablóides.
http://www.youtube.com/watch?v=xD1qD66Myno

É difícil imaginar o irritável e sincero Bale, um ator que não quer ser visto como alguém que leva o seu trabalho demasiado a sério, atirar-se de cabeça no circo dos prêmios de Hollywood. "Sou humano" diz. "Gosto de ouvir as pessoas dizerem que fiz um bom trabalho. Faz-me feliz e orgulhoso." Acrescenta: "Farei campanha pelo filme, mas não a farei por mim." "É colocarmo-nos na pele de outra pessoa e ver quão longe podemos ir na compreensão dessa mesma pessoa". "Gosto da empatia que advém de representar."


título original: (The Fighter)
lançamento: 2010 (EUA)
direção:David O. Russell
atores: Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adms, Melissa Leo.
duração: 114 min


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