sábado, 19 de fevereiro de 2011

Desculpem-me, mas.... voltei para o cinema.


Iñarritu: VALE!! (DIREMOS ¿BALE?!!, BRAVO?!, BRABO?!)

Amores perros, 21 gramas, Babel... e a contemporaneidade de Iñarritu é estonteante; são versões diferentes e idênticas da nossa vida feia, ridícula, pobre, imbecil, bruta, estúpida. Sem anestesias, sem pílulas douradas, mas com uma poesia que nos obriga a pensar: ‘sim, somos idiotas porque poderia não ser assim’. E agora Biutiful para confirmar a consciência e a coragem aguda de Iñarritu. Eu tenho inveja deste cara, eu o vejo e penso: ‘eu pensei isso, eu vi isso, eu acredito nisso, droga... eu não consegui demonstrar isso’. Ali está nossa fragmentação, nossa confusão lingüística, a arrogância imbecil, a ignorância negada... Iñarritu enfrenta tudo isso, e pior: mostra a saída. Digo pior porque ele não se esquece de nossa cegueira. Por exemplo, ele se encontra sempre com a morte. Olha pra ela, e a respeita. Noutras palavras, tem para a morte o mesmo olhar agudo e respeitoso que tem para a vida. Ele não nos deixa esquecer: existe algo chamado dignidade; prestem atenção nisso.

Mas sua ousadia não está ‘somente’ na temática, aparece também na forma com que se revela. Sabe-se que uma boa idéia só pode ser boa se manifestar-se numa boa forma. Seus atores são fascinantes: Sean Penn, Gael Garcia, Benício Del Toro, Javier Bardem e até Brad Pitt se transformou diante de sua câmara. Nos filmes de Iñarritu, todo mundo parece com a gente mesmo. É isso. A gente está ali, diante de espelhos que insistem em mostrar-nos sem maquiagem e sem fantasia. A edição de seus filmes é única, é louca, porque se parece também com nossa vida, nada de linearidade, tudo ao mesmo tempo, nada de 'legenda', nenhum 'manual'. É o nosso cotidiano, é a nossa vida besta. É a nossa vida biutiful.

Sean Penn se destaca em 21 gramas mas conta com auxílio luxuoso de Benício; aqui Javier Bardem é uma estrela solitária terrível e fascinante. Enfim, estou absolutamente impactada. Nenhuma novidade nisso, todo mundo já sabe. Sou a comovida de plantão. Sou à flor da pele. Por isso posso ser forte como um touro se a questão é beleza da vida. Já atravessei a América para ver um filme. Hoje estou pensando que serei capaz de atravessar o mundo para ver um filme de Iñarritu. Tenham paciência comigo, mas terão que me suportar no monotema cinema porque Biutiful vai render, render e render em minh’alma.

http://www.youtube.com/watch?v=m_OrqZQV8p8&feature=player_embedded

Título original: Biutiful
País/Ano: México / Espanha, 2010
Duração: 147 min
Direção: Alejandro Gonzalez-Iñarritu
Elenco: Javier Bardem, Maricel Álvarez, Hanaa Bouchaib, Guillermo Estrella

Quanto à minha brincadeira:

Biutifull - 1000 ;

Javier Bardem - 1100


2 comentários:

  1. Que bom que voltou ao cinema!

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  2. Biutiful pode render o que quanto você quiser que ele merece...Aliás deveria ter ganhado o Globo de Ouro, mas...

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