sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

“Há sempre um copo de mar para um homem navegar"

Você vai perder?

(Cildo Meireles)

Esse é o Título da 29ª Bienal de São Paulo que aconteceu entre 25 de Setembro e 12 de Dezembro de 2010. Baseado num verso do poeta Jorge de Lima, sintetiza a idéia de que a utopia da arte está contida nela mesma. E deste infinito particular, cada um busca modificar o mundo. Por isso a conexão da arte com a política, também tema e ponto focal da Bienal.
A 29ª Bienal de São Paulo, que reuniu aproximadamente 850 obras de 159 artistas dos mais variados países, ganha agora fôlego extra com o projeto Itinerância: “29a Bienal de São Paulo - Obras selecionadas”. Obras selecionadas pelos curadores devem percorrer 12 cidades brasileiras até agosto de 2011. A primeira parada é Minas Gerais. De 18 de janeiro a 20 de março, 95 obras de 34 artistas da 29ª estão expostas em dois espaços em Belo Horizonte: Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes) e o Centro de Arte Contemporânea e Fotografia.
O recorte da 29ª Bienal destinado ao Palácio das Artes e ao Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, em Belo Horizonte, é dos mais significativos. A qualidade dos espaços, o grande interesse do público local pela arte contemporânea encontra eco no expressivo número de artistas mineiros presentes na mostra. É o caso, por exemplo, de Cinthia Marcelle, Sara Ramos e Matheus Rocha Pitta. Ao lado dos mineiros, destaque também obras de Jean-Luc Godard, Carlos Garaicoa, Gil Vicente, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Flávio de Carvalho, entre outros.
As mostras da 29ª Bienal de São Paulo – Obras Selecionadas ficarão em exibição por cerca de dois meses em cada uma das 12 cidades por onde passará a itinerância. Além de Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Araraquara, Campinas, São Carlos, Piracicaba, Santos e Ribeirão Preto. As próximas paradas serão no MAM do Rio de Janeiro, com abertura prevista para 16 de março e no MAM de Salvador, em 19 de março.

Invenção de Orfeu
Jorge de Lima

II
A ilha ninguém achou
porque todos a sabíamos.
Mesmo nos olhos havia
Uma clara geografia.

Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim,
mesmo sem terra e sem mim

Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.

Nem achada e nem não vista
nem descrita e nem viagem,
há aventuras de partidas
porém nunca acontecidas.

Chegados nunca chegamos
Eeu e a ilha movediça.
Móvel terra, céu incerto,
mundo jamais descoberto.

Indícios de canibais,
sinais do céu e sargaços,
aqui um mundo escondido
geme num búzio perdido.

Rosa de ventos na testa,
maré rasa, aljofre, pérolas,
domingos de pascoelas.
E esse veleiro sem velas!

Afinal: ilha de praias.
Quereis outros achamentos
além dessas ventanias
tão tristes, tão alegrias?

Um comentário:

  1. Palavras ditas, eternos poemas. Difícil de decifrar, porem fácil de entender. HEBER CARVALHO

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