sábado, 12 de fevereiro de 2011

Pois como dissemos, é tempo de cinema no meu coração.


Hoje: BRAVURA INDÔMITA (TRUE GRIT) e, pra variar, a tradução nos trai. Pois, até onde percebo, o filme não trata de nenhum bravo nem tampouco de bravura alguma e sim de um atualíssimo mundo sem quês nem porquês, mundo de homens perdidos, presos a barrinhas de ouro, pelas quais se mata e se morre. De vermes, com o pedido de desculpas a estes. ( uma história que me lembrou bastante o belo e aterrador texto de John Steinbeck: Ratos e Homens, que vai como dica pra quem não conhece). Quando vi a primeira versão de True Grit, de 1969, com um ótimo John Wayne como protagonista, adorei o filme; fui atingida no coração, mas era uma criança que ali encontrava apenas a história de mocinho (e no caso, também de encantadora mocinha) e bandido. Tempo vai, tempo vem, cresci grande parte do que cresci dentro de uma sala de cinema. E crescida (ainda não tanto quanto pretendo crescer) sempre me pergunto por que os americanos não são como são no cinema que eles fazem. Minhas especulativas respostas ficam pra outra hora. A hora agora é de True Grit. Grande filme, grande Jeff Bridges. Outro trabalho excepcional dos manos Cohen. Que não se duvide: estes caras nasceram pra fazer cinema americano, do melhor. Ali encontramos verdadeira tristeza de ser humano, custoso de virar gente, ali está a ironia, a dor, a impotência dessa raça prepotente. Fizeram um western clássico, e moderno. Igual, e diferente. O que mais me atrai nestes caras é o capricho, a atenção aos detalhes com que eles fazem seu trabalho. O filme recebeu 10 indicações ao Oscar. Dou-lhe o de fotografia e direção (sim, eu sou atrevida). Bridges está mais uma vez muito bom, mas também muito o mesmo, em outra versão (outro mesmo Coração Louco, Pescador de ilusões.... e por aí vai). Hailee Steinfeld, atriz coadjuvante, é uma bela revelação. E Matt Damon, se esforçando de modo admirável como sempre (e conseguindo) seu xerife ‘conforme o figurino’ dos velhos filmes (certinho, correto, sem sal, tão certinho que é mesmo, de verdade, ‘certim’), . Enfim, é um filme que é arte verdadeira. E pra finalizar: a seqüência em que o xerife alcoólatra e desprezível corre para salvar sua destemida e teimosa amiguinha, é uma das mais belas que já vi. É tão linda que se torna inesquecível. Coincide com o ápice do filme. E me faz querer ver de novo, só pra vê-la outra vez.

Bravura Indômita, EUA, 2010.
Direção: Ethan e Joel Cohen
Jeff Bridges, Hilee Steinfeld, Matt Damom.
Direção de arte: Jess Gonchor e Nancy Haigh
Fotografia : Roger Deakins

Continuando minha brincadeira:
Bravura Indômita: 8,0
Jeff Bridges: 8,0

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