quarta-feira, 13 de abril de 2011

Acorde 4

O amor, Wolf, é assim. É exato porque não cabe em si, o disse Djavan, mas meu amor é diferente. Amor que hoje beija e amanhã não beija, é o amor do Drummond. Mas o meu é outro. Amor de Camões é fogo que arde sem se ver e dói sem se sentir, mas não é assim o meu amor. Em Pessoa, o amor circunda-se de rosas, bebe e cala. Em mim, não. Neruda ama quando não ama e não ama porque ama. Wolf, meu amor não é assim. Pareço talvez Cecília e de longe te hei-de amar, - da tranquila distância em que o amor é saudade e o desejo, constância. Talvez. Talvez. E de verdades não sei, sei que meu amor é assim: uivo de coiote.

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