terça-feira, 19 de abril de 2011

Acorde 5

Voltei, e estou feliz e triste; há uma consciência fria, dura, estável.  De tudo. Estou feliz porque estou calmo, e vejo meus sonhos chegarem de manso, por caminhos que eu não esperava, mas chegam tais como foram sonhados. Fazem-me trabalhar demais e existe uma grande resistência em minh’alma. A realização dos meus sonhos me conta todos os dias que estou, e ficarei, só, e penso agora que a realização depende exatamente de que eu esteja assim. Eu só. Uma   so-lidão própria, e estranha. É luminosa, pois há uma luz muito quente aqui. Agora. Não a vejo, e sinto mais que nunca o estranho que em mim habita . Às vezes distante, nunca inexistente, entretanto. Quero o estranho aqui, como neste agora. Porque é quente, está perto, e continua estranho. Está em mim, é meu. Sou eu. É palpável, tocável. Sinto saudade dele, e agora, a cada instante, ele fica mais perto de mim...  talvez eu me desapareça nele, e é bom. Há
música.

Um comentário:

  1. "(...)Está em mim, é meu. Sou eu.(...)" - Quantas vezes nos esquecemos de nós mesmos, não?

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