quinta-feira, 14 de abril de 2011

Poesia:



DÁDIVA


Czeslaw Millosz

Um dia tão feliz.
A névoa baixou cedo, eu trabalhava no jardim.
Os colibris se demoravam sobre a flor de
madressilva.
Não havia coisa na terra que eu quisesse
possuir.
Não conhecia ninguém que valesse a pena
 invejar.
O que aconteceu de mau, esqueci.
Não tinha vergonha ao pensar que fui quem sou.
Não sentia no corpo nenhuma dor.
Me endireitando, vi o mar azul e velas.

3 comentários:

  1. "Não havia coisa na terra que eu quisesse
    possuir.
    Não conhecia ninguém que valesse a pena
    invejar."
    Pois é, neste mundo louco ainda podemos pensar em uma palavra: ESPERANÇA!

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  2. 'não tinha vergonha de pensar que fui quem sou",

    ISSO É SIMPLESMENTE A EXCELÊNCIA DE UM HUMANO, eu penso.

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  3. É realmente uma DÁDIVA!

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