sexta-feira, 13 de maio de 2011

Acorde 8

O dia nasceu. E estava escuro. O céu comprimia a terra. Faltava ar. E o relógio estava parado. O nada perdurou. E durou. Por exaustão, dormiu-se. Por inesperado, sonhou-se.
Ele, meio índio, silencioso e diligente, arrumava a casa que havia desmoronado. Protegia solenemente as flores as flores que estavam intactas, lindas. Ele já havia retirado os escombros. Eu estava ali, acompanhada por uma menininha que eu não via, mas conhecia, e quis orquídeas para mim. Ele me deu. Muitas. Eu dizia àquela menina que havia antes ali uma casa e lhe contava de outro tempo. Havia paz e a luz era suave. O ar puro. E o tempo, não havia. Sem mais, ela apareceu. Dona da casa que sempre fora, estava à vontade, e mostrou-me muitas outras flores que eu ainda não vira. Me disse que podia levá-las; quando e sempre que eu quisesse. Estava tranqüila, como sempre fora. Lembrei-me de que eles haviam morrido. Ouvindo meu pensamento, ela sorriu com desdém. Eu respirei fundo. E caminhei carregando flores.
A tarde chegou. E estava alaranjada. O céu estava distante, multicolorido. Por inesperado, ele chegou, me beijou, falou de uma vida nova, de descobertas, de começos, de presentes, de caminhos...
Olhei pela janela. O tempo estava passando.

Magda Maria Campos Pinto

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