quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cannes/2011: ALMODÓVAR



ALMODÓVAR: sim, sem dúvida um dos grandes cineastas de nossos tempos. Mas... Sim, tenho muitos ‘mas’ com Almodóvar. Reconheço sua originalidade e mesmo sua genialidade (não seria original se não o fora...); o que me impede de declarar-me sua fiel espectadora - e apesar de -, é que penso que Almodóvar ‘deu de se repetir’... Ou ainda, deu de transformar seus filmes ‘em catarses’... E mais catarses. Há quem goste, e precise. Entendo. Sim, entendo e respeito. Almodóvar iniciou-se no cinema na década de setenta, e nos anos oitenta fez suas melhores obras. Ninguém poderá negar, por exemplo, a delícia irônica e maravilhosa de Mulheres à beira de um ataque de nervos, ou a bela reflexão de Atame. Há outros muitos bons, como A lei do desejo e Carne trêmula. Mas... Bom, aí Almodóvar já era ‘o cara!’, e então, eu, sinceramente, temo ‘os caras!’. E veio ‘Hable con ella’, e todo mundo ohhhhh!!, já me cansei de ouvir ‘é o filme da minha vida’, e eu: “ah, cala-te boca, sossega Freud, por favor”. Ah, não… alguém pode me dizer o que é que o Caetano tava fazendo ali?? (são amigos, eu sei… pois é, mas estamos tentando fazer arte, algo que sirva a todos, a mim me parece). E ‘por amor’ vale tudo, é? (pois aqui beiramos o dramalhão piegas, e pior, dane-se a ética pois o ‘amor puro’ salva; é demais pra mim; quanto a uma solução artística do abuso, vamos combinar: vamos de Quentin Tarantino e Kill Bill que iremos melhor) . Voltando: se assim o é – isto é, se for ‘por amor’ ta valendo - porque, e como ficamos com, a tal ‘La mala educación’? Ah... Por favor!! Fica muito bem numa página policial de um jornaleco de província. Severo, não? Talvez. Mas... ainda assim admito: Pedro é um gênio. E quando resolve respeitar seu público faz coisas maravilhosas. E assim é Volver. Genial. Um espetáculo. Uma acuidade absoluta. A meu ver, um dos maiores filmes da última década.

E então chegamos a Cannes/2011 e lá está ele arriscando-se na vereda do terror. Que bom, há que arriscar sempre. Mas não é o mesmo que ‘vale tudo’. Mas La piel que Habito está sacudindo Cannes; dizem que é a carta na manga de Almodóvar, é seu teaser-trailer (hum, pois é... e eu pensando, mas o Pedro não é um ‘teaser’ desde sempre, e por vocação? e ainda: Pedro é bom de marketing, não é? ah, ora, nada contra... é só um comentário).

Baseado no livro Tarantula, do escritor Thierry Jonquet, Almodóvar disse que o gênero deste filme está mais para o terror, diferente de sua última parceria com Banderas no longa “Atame“, um drama com pitadas de humor. Pedro também descreve o filme como uma mistura de cinema noir, com o gênero terror e um pouco ficção-científica. (já vi isso em algum lugar??)

"Será um filme de terror, mas sem gritos ou sustos. Não vou respeitar nenhuma regra do gênero. É o filme mais chocante que já escrevi e o personagem de Banderas é brutal", declarou ao jornal espanhol El País.

Estou ansiosa pra ver. Mais ansiosa para ser bem surpreendida e reencontrar mais uma das peças geniais de Almodóvar. Mas (mas, mas...) confesso: não tou levando fé. E no mais, todo mundo tem o direito de cometer um ‘Araçá Azul’, não é Caetano? Muitos araçás é que ficam, hum, como direi? Melhor esperar...


p.s: que Almodóvar é perfeito para nomear as coisas, lá isso é. Sem mais nem menos. E muito menos mas...

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