sábado, 28 de maio de 2011

Cultura e saudade. Bob Dylan, o homem.


As 70 coisas que você deve saber sobre Bob Dylan

1 - Bob Dylan nasceu Robert Allen Zimmerman, em uma pequena cidade mineradora de Minessota. Ele se reinventou em 1959, quando foi para a universidade e se autobatizou com o nome com o qual ficou famoso.

2 - Seu nome artístico foi inspirado no poeta inglês Dylan Thomas, ídolo da geração beat.

3 - Dylan costumava inventar histórias sobre seu passado: dizia ser descendente de índios sioux , que estava abandonado e que vinha de Ocklahoma. Na verdade, ele vinha de uma abastada família judia.

4 - Dylan mudou-se para Nova York em 1961. O músico queria integrar-se a cena local - reduto de artistas e cantores folk e conhecer Woody Guthrie.

5 - Woody Guthrie foi a principal referência musical do início da carreira de Dylan: Guthrie era representante da chamada "canção de protesto" dos anos 40 e 50, feita com arranjos de folk e fortemente influenciada pelo pensamento de esquerda.

6 - Greenwich Village era o palco da música folk. O bairro de Nova York também viu as primeiras aparições de Dylan e foi reduto da geração beat. 


  7 - A primeira namorada de Dylan em Nova York foi a artista Suze Rotolo. Ela é considerada a musa que teria inspirado algumas das primeiras canções de amor de Dylan, entre elas "Don't Think Twice, It's All Right", "Boots of Spanish Leather" e "Tomorrow Is a Long Time".

8 - Rotolo foi fotografada com Dylan na capa de seu álbum de 1963 "The Freewheelin' Bob Dylan". Ela tinha 17 anos quando começou a namorar Dylan, em 1961 e morreu em fevereiro deste ano, aos 67 anos.

9 - Em agosto de 1963, Bob Dylan participou da célebre "Marcha sobre Washington por empregos e liberdade" - ocasião em que Martin Luther King fez o discurso "I Had a Dream".

10 - Após a morte do presidente John F. Kennedy em novembro de 1963, Bob Dylan afastou-se do ativismo folk e tornou-se musicalmente mais próximo do rock n' roll. Dizem que ele tinha medo de ser assassinado também.

11 - "Se não gostaram o suficiente daquele cara (Kennedy), o que seria de mim?", perguntou ele no documentário "No Direction Home", de Martin Scorcese.

12 - A mudança de estilo causou polêmica. No festival folk de Newport, a adoção de guitarras elétricas causou revolta no público. O cantor folk Peter Seeger tentou cortar os cabos durante o show com um machado, enquanto a platéia vaiava ostensivamente seu ídolo, chamando-o de "traidor".

13 - A cantora de folk Joan Baez teve um romance breve com Dylan em 64, sem saber que ele saía também com Sara Lownds, que se tornaria sua primeira mulher. Joan ajudou a divulgar o trabalho de Dylan e isso despertou a atenção do público pelo romance entre eles.

14 - Em uma entrevista em 1966, o cantor assumiu ao jornalista Robert Shelton ter usado heroína e estar se livrando do vício. Apenas agora essa declaração foi divulgada, já que na época a editora cortou boa parte da entrevista.

15 - "Eu me livrei de uma dependência de heroína em Nova York. Eu tive uma dependência muito, muito forte por um tempo. Gastava US$ 25 por dia (equivalente a cerca de US$ 180 hoje) e consegui me livrar", disse Dylan a Robert Shelton em 66.

16 - Robert Shelton foi um grande amigo de Dylan. O jornalista do "New York Times" foi o primeiro a publicar uma resenha elogiando o músico e a incentivar sua carreira.

17 - Shelton é o autor da biografia "No Direction Home", que ganhou uma nova edição este ano pela editora Larousse. 
18 - Quando Bob Dylan mudou o estilo, o músico começou a ser acompanhado pelo grupo "The Hawks". Com o tempo, o público começou a chamá-los apenas de "a banda" e eles acabaram adotando o nome "The Band".

19 - Dylan e os integrantes da "The Band" se reuniram na cidade rural de Woodstock no início de 1969 para gravar um disco pirata. A série de gravações, feitas em uma cabana, ficou conhecida como "Bob Dylan's Basement Tapes" ("As Fitas do Porão de Bob Dylan").

20 - O disco pirata, conhecido como "Great White Wonder" ou simplesmente "GWW", era composto principalmente de material de Dylan sozinho no violão, porém haviam sete faixas com banda, material gravado em Woodstock no porão da casa.

21 - "Queria colocar fogo nesses tipos", afirmou Bob Dylan sobre os hippies, lembrando como fãs subiram no teto de sua casa em Woodstock para tentar entrar.
22 - O documentário "Don't Look Back" sobre a turnê de Dylan pela Inglaterra é considerado um clássico. Dirigido pelo D.A. Pennebaker, foi lançado em 67 e mostra os bastidores das apresentações, com Dylan conversando com os amigos e sua equipe e interagindo com fãs e a imprensa.

23 - "O mundo era absurdo... Eu tinha poucas coisas em comum com uma geração que não conhecia e da qual se supunha que era um dos porta-vozes", escreveu Dylan em sua autobiografia "Crônicas Vol. 1", falando sobre os anos 60.

24 - Há vários livros, filmes e documentários contando a história de Bob Dylan. Em 2004, com "Crônicas Vol. 1", ele contou a própria versão da sua vida e carreira.

25 - O livro traz revelações sobre todas as épocas, dos tempos de infância e adolescência até gravações de trabalhos mais recentes. Desde então, aguardam-se novos volumes das "Crônicas" - o artista já afirmou que continua escrevendo o material.

26 - "Escrever minha biografia foi uma experiência emocionante em alguns momentos. Mas para ser honesto, também vivi isso como um processo mais tedioso.", explicou ele no jornal britânico "Telegraph".

27 - Em 1976, os integrantes da The Band resolveram dissolver o grupo e fazer um concerto de despedida. A princípio, convidaram Dylan e Ronnie Hawkings, mas o convite estendeu-se a outros músicos e o concerto "The Last Waltz" virou um grande evento.

28 - Gravado por Martin Scorcese para tornar-se um documentário, "The Last Waltz " foi chamado de "o melhor filme de rock já produzido". Mas Dylan não queria ser filmado, porque na época fazia um projeto próprio. Ele só foi convencido quando Scorcese garantiu que "The Last Waltz" seria adiado até que Dylan lançasse seu filme.

29 - "Renaldo & Clara", filme de Dylan que adiou o lançamento de "The Last Waltz", documentário de Scorcese, foi considerado um fiasco, "um exercício de narcisismo de Dylan" e caiu no esquecimento.

30 - Dylan teve uma mudança de voz devido a uma grave bronquite no inverno de 1960. Embora recuperado, ele temia que sua voz tivesse sido danificada.

31 - Dylan nunca se preocupou com as finanças e chegou a empenhar o próprio violão.

32 - O empresário Harold Leventhal foi quem promoveu o primeiro grande show de Dylan em Nova York, em 1963.

33 - Foi Martin Scorcese quem produziu o documentário "No Direction Home", em que traça a vida de Bob Dylan e seu impacto na música e na cultura entre 1961 e 1966. O filme mostra a metamorfose do cantor folk para a rockstar enigmático que era idolatrado até pelos Beatles.

34 - "O Bob Dylan é tipo com um chapéu", diz Bob Dylan, de cabeça descoberta, a uma senhora que lhe pergunta onde está Bob Dylan em uma cena do filme "Renaldo & Clara".

35 - Dylan também fez suas incursões na literatura. Em "Tarantula", livro publicado em 71, ele brinca com exercícios de fluxo de consciência e tem influência de Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Hoje é considerado raridade em sebos no Brasil.

36 - Ele teve seu momento de "conversão" ao Evangelho e lançou alguns trabalhos voltados para o mercado gospel após seu divórcio, em 1977, da esposa Sara Lownes, com quem era casado desde 65. Ele filiou-se a uma igreja e converteu-se ao protestantismo.
37 - Depois do divórcio com Sara, Dylan fez uma turnê mundial para reabastecer a conta bancária.

38 - Motivado por sua nova espiritualidade, Dylan gravou três álbuns: "Slow Train Coming" (1979), deu a ele um Grammy de melhor vocal masculino pela canção "Gotta Serve Somebody". O segundo álbum, "Saved" (1980), teve uma recepção menos entusiasmada, e "Shot of Love" (1981) encerra a fase cristã de Dylan.

39 - Bob Dylan adorava a década de 50. Além de ser fã confesso do ator James Dean, ele produziu o 33º álbum de sua carreira, "Together Through Life", em 2009, com inspirações nos anos 50.

40 - Em 1988, os músicos George Harrison, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty se reuniram a Dylan no estúdio dele, em Santa Mônica, para gravar a canção "Handle with Care", que faria parte do lado B do single "This Is Love", do álbum Cloud Nine de George Harrison.
41 - O encontro rendeu a ideia de os músicos gravarem um álbum juntos. Lançado sob vários pseudônimos, "Traveling Wilburys Vol. 1" alcançou o posto número 79 da lista dos cem melhores discos dos anos 1980 publicada pela revista musical "Rolling Stone" e recebeu uma indicação a Álbum do Ano no prêmio Grammy.

42 - Apesar da morte de Roy Orbison em dezembro de 88, o grupo Traveling Wilburys gravou um último álbum sob pseudônimos distintos, chamado "Traveling Wilburys Vol. 2". Metade das canções do álbum foram compostas por Dylan.

43 - Dylan teve cinco filhos. O caçula do legado com Sara Lownes, Jakob Luke Dylan, nasceu em 1969, é vocalista e principal compositor da banda The Wallflowers. Apesar de ser uma banda de rock, The Wallflowers tem arranjos de folk/country e um formato acústico.

44 - "Sonhava com uma vida normal, trabalhar das 9 às 17 horas, ter uma casa com árvores, uma cerca de madeira pintada de branco e rosas no jardim", conta o cantor na autobiografia.

45 - "Like a Rolling Stone" foi considerada por especialistas da música como a melhor música de todos os tempos segundo uma pesquisa da revista "Rolling Stone". Ela marca a passagem de Dylan do acústico para o elétrico.

51 - Carol Dennis, ex-integrante da banda de Bob Dylan, se casou secretamente com ele e tiveram uma filha chamada Gabrielle Dennis Dylan. O casal ficou junto de 1986 a 1992.

52 - "Me sentia como um pedaço de carne atirado aos cães", lembra, culpando a imprensa por colocá-lo no papel de "porta-voz e até da consciência de uma geração".

53 - Em 1997 surgiram rumores de que Dylan estaria morrendo. Embora tenha tido uma séria inflamação no coração, ele saiu do hospital pouco tempo depois.

54 - "Eu realmente pensei que logo veria Elvis", declarou o cantor após sair do hospital, quando teve o problema no coração.

55 - A canção "Forever Young" virou livro infantil pelas mãos do próprio Dylan. O livro ilustrado narra a história de um garoto através de imagens, músicas e momentos da vida de Bob Dylan e segue os passos do ídolo na música.

56 - Dylan recebeu um Oscar de Melhor Canção Original pela música "Things Have Changed", do filme "Garotos Incríveis" (2000). Desde então, Dylan leva o Oscar em suas turnês.

57 -"Encontrei as coisas que preferia: os aniversários, acompanhar meus filhos à escola, as férias no acampamento, no barco, a canoa e pescar", conta, sobre a paz interior que chegou somente depois dos anos 70.

58 - O álbum "Modern Times", lançado em 2006, foi considerado "Melhor Álbum do Ano" pela revista "Rolling Stone".

59 - O cantor recebeu o título de doutor honoris causa em música pela Universidade de Saint Andrews (Escócia) em 23 de junho de 2004.

60 - Em 2007, Todd Haynes lançou o filme "I'm not There", uma biografia fictícia de Bob Dylan. São seis versões de Dylan, todas interpretadas por diferentes atores e inspiradas em suas diferentes fases artísticas.

61 - "I'm not There" é uma ficção, mas é também uma análise fantástica de sua obra. Confuso e fragmentado, sintetiza o legado artístico do homem como nenhum documentário conseguiu.


62 - O ator Ben Whishaw encarnou uma versão do poeta Arthur Rimbaud no filme. Considerado uma das influências de Bob Dylan, o poeta faz comentários irônicos sobre a arte durante um interrogatório.

63 - A atriz Cate Blanchett foi indicada ao Oscar de melhor Atriz Coadjuvante pela sua performance como Bob Dylan.

64 - Dylan também dá seus passeios pelas artes plásticas, mas a crítica foi severa com a exposição que ele realizou ano passado, no museu Statens Museum for Kunst, de Copenhague. "The Brazil Series" inclui cerca de 40 pinturas em acrílico e oito desenhos sobre o Brasil, realizados entre 2009 e março de 2010.

65 - Dylan fez seu primeiro show na China em abril deste ano. Dylan foi chamado duas vezes para tocar "Like a Rolling Stone" e "Forever Young", diante de um público de maioria jovens chineses e estrangeiros mais velhos.
66 - Nos shows de Pequim e Xangai, ele deixou de fora do repertório algumas de suas músicas mais emblemáticas e famosas pelo caráter político, como "Blowin in the Wind".


67 - A Sony Music comemorou os 30 anos de carreira de Dylan com um show no Madison Square Garden.

68 - Recentemente, a edição americana da revista "Rolling Stone" elencou as dez canções prediletas da revista.
Entre elas está "Forever Young" e "Like a Rolling Stone". 

69 - A música de Dylan com maior número de acessos no Youtube é "Tangled Up In Bleu", com mais de 3 milhões de cliques.

70 - Bob Dylan deve voltar ao Brasil ainda este ano. Em sua quarta visita ao País, Dylan está cotado para se apresentar no SWU. Ele veio ao país pela última vez em 2008. 


p.s: fonte Diário Catarinense, em 24/05/2001

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