domingo, 1 de maio de 2011

ERNESTO SABATO (1911-2011)



Quase-Ser-Tão de luto. Ernesto Sábato faleceu em Buenos Aires. Seu romance ‘Entre heróis e Tumbas’ está entre os livros que nos constituem. Sua personalidade, entre as luzes que nos guiam.
O escritor argentino  morreu na madrugada de ontem (29/04/11), aos 99 anos. No dia 24 de junho completaria cem anos. O criador de obras como O túnel, Sobre heróis e Tumbas e Um e o Universo, embora fosse seguidor de um humanismo social como o de Bertrand Russel e Bernard Shaw, ficou célebre também  por seu realismo angustiado.
Sua profissão original foi a de físico nuclear (de muito destaque), e dizia que o planeta ainda tinha "chances": "este século é atroz e terminará de forma atroz. A única forma de salvá-lo é pensar poeticamente". (referia-se ao século XX, e não é mais possível contradizê-lo, foi um também um profeta)
Sábato, vencedor do Prêmio Cervantes em 1984, estava há cinco anos recluso em sua casa no distrito de Santos Lugares, na grande Buenos Aires.
Uma das últimas aparições do escritor em público foi em 2004, no Congresso da Língua na cidade de Rosário. Ali, o português José Saramago o definiu como "autor trágico e eminentemente lúcido ao mesmo tempo". Sábato ficou mudo, chorou e depois abraçou Saramago. 

 Foi anarquista e comunista na juventude. Sua militância política o levou à clandestinidade e posteriormente à Europa, onde rompeu com o comunismo e começou a se dedicar ao estudo da física no Instituto Curie em Paris. Embora fosse considerado um dos mais promissores físicos de sua geração, Sábato abandonou a ciência e iniciou sua atividade literária em 1945, com Um e o universo, um compêndio de mini-ensaios filosóficos. Em 1984, o então presidente Raúl Alfonsín encomendou-lhe a tarefa de presidir a Comissão Nacional sobre Desaparecimento de Pessoas, que redigiu o Relatório Sábato, mais conhecido como o Nunca mais, sobre seqüestros, torturas e assassinatos de civis por parte da ditadura militar argentina (1976-83). Dividiu com outros grandes leitores a sina da cegueira na tarde de sua vida.


          “– También Sartre estaba en una situación semejante.
-  El decía que la tarea del escritor sería la de entrever los valores eternos que están implicados en el drama social y político de su tiempo y lugar. Vivir es estar en el mundo, en un mundo determinado, en una condición histórica, en una circunstancia que no podemos eludir. Y que no debemos eludir, si pretendemos hacer un arte verdadero. ¡Fíjese qué compromiso! Un novelista, con relación a su época, como dije, es un testigo, ya que el crítico puede serlo también un pensador. El testimonio de la novela es más completo e integral. Es la gran ventaja de la literatura sobre as otras artes; su misma hibridez (a caballo entre la ficción y la realidad, entre la intuición y el concepto), su misma ambigüedad contradictoria, le permite dar un cuadro mas cabal que un pensador. Un gran novelista inquieta, desasosiega. Creo que fue Nadeau quien dijo que las grandes novelas son aquellas que transforman al escritor, al hacerlas; y al lector, al leerlas. Por eso la palabra ‘agrado’, o la palabra ‘placer’ nada tienen que hacer con esta clase de literatura. No se escribe para agrada sino para sacudir, para despertar.
-          Hay lectores que leen para ‘matar el tiempo’, y devoran best-sellers. ¿Qué opina de los best-sellers?
-          Que tienen la misma relación con la literatura que la prostitución con el amor. Esos libros norteamericanos que escriben equipos con estudio de marketing e intervención del directorio de la empresa editorial, me parecen simplemente basura.” 

In Entre la letra y la sangre, Conversaciones con Carlos Catania, Biblioteca Ernesto Sábato, Seix Barral, Buenos Aires, 2003.

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