domingo, 29 de maio de 2011

Juan Gelman e Eduardo Galeano: 'o importante é que a nossa emoção sobreviva'


 A arte e o tempo
“Quem são os meus contemporâneos? – pergunta-se Juan Gelman.
Juan diz que às vezes encontra homens que têm cheiro de medo, em Buenos Aires, em Paris ou em qualquer lugar, e sente que estes homens não são seus contemporâneos. Mas existe um chinês que há milhares de anos escreveu um poema, sobre um pastor de cabras que está longe, muito longe da mulher amada e mesmo assim pode escutar, no meio da noite, no meio da neve, o rumor do pente em seus cabelos; e lendo esse poema remoto, Juan comprova que sim, que eles sim: que esse poeta, esse pastor e essa mulher são seus contemporâneos.”

Profissão de fé
“Sim, sim, por mais machucado e fodido que a gente possa estar, sempre é possível encontrar contemporâneos em qualquer  lugar do tempo e compatriotas em qualquer lugar do mundo. E sempre que isso acontece, e enquanto isso dura,a gente tem a sorte de sentir que é algo na infinita solidão do universo: alguma coisa a mais que uma ridícula partícula de pó, alguma coisa além de um momentinho fugaz.”

In Eduardo Galeano, O livro dos abraços, L&PM Pocket, Porto Alegre, 2005.

Fábricas del amor

I

Y construí tu rostro.
Con adivinaciones del amor, construía tu rostro
En los lejanos patios de la infancia.
Albañil con vergüenza,
Yo me oculté del mundo para tallar tu imagen,
Para darte la voz,
Para poner dulzura en tu saliva.
Cuantas veces temblé
Apenas si cubierto por la luz del verano
Mientras te describía por mi sangre.
Pura mía
¿Estás hecha de cuántas estaciones
Y tu gracia desciende de cuántos crepúsculos?
Cuántas de mis jornadas inventaran tus manos.
Qué infinito de besos contra la soledad
Hunde tus pasos en el polvo.
Yo te oficié, te recité por los caminos,
escribí todos tus nombres al fondo de mi sombra
Te hice un sitio en mi lecho,
te amé, estela invisible, noche a noche.
Así fue que cantaron los silencios.
Años y años trabajé para hacerte
Antes de oír un solo sonido de tu alma.

In Juan Gelman, Amor que serena, termina?, Edição bilíngue, Tradução e seleção Eric Nepomuceno, Record, Rio de Janeiro, 2001.

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