quinta-feira, 12 de maio de 2011

Pensamento do dia 4 – Primeira temporada


(...) “O odor das folhas verdes e das folhas secas, da praia e das rochas escuras do mar, e do feno no celeiro,
O som das palavras que a minha voz atira aos remoinhos dos ventos,
Alguns beijos leves, alguns abraços, os braços à volta de um corpo,
O jogo de lua e sombra nas árvores com os dóceis ramos balouçando,
O prazer de estar só ou no tumulto das ruas, ou pelos campos e colinas,
A sensação de saúde, os gorjeios do grande meio-dia, o meu canto ao levantar-me da cama e encontrar o sol.
Achas que mil acres são muitos? Achas que a Terra é muita?
Praticastes o necessário para aprender a ler?
Sentiste-te orgulhoso por captar o sentido dos poemas?
Fica comigo este dia e esta noite e possuirás a origem de todos os poemas,
Possuirás o que há de bom na Terra e no Sol (há milhos de sóis),
Não terás coisa em segunda ou terceira mão, nem verás pelos olhos dos mortos, nem te alimentarás dos espectros dos livros,
Nem através dos meus olhos verás, nem de mim terás as coisas,
Escutarás tudo e todos e tudo em ti filtrarás.” (...)

In Canto de mim mesmo, Walt Whitman, Assírio &Alvim, Lisboa, 1992.
 

p.s: fotos da quasesertaneira Rosane Palha, de onde está construindo sua casa, seu canto, sua vida...., sendo. Muchas gracias por caminhar com a gente!


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