terça-feira, 28 de junho de 2011

CARTAS ABERTAS - NAIPE AMOR 4

Como todos já sabem (mas não custa repetir): neste mês estamos mostrando no blog pontos de nossas pesquisas sobre as relações amorosas. Mais verdadeiramente estamos debruçados sobre o tema há bastante tempo (uns 10 anos), e atualmente o estudamos sob o prisma de uma revolução a ser feita. Por enquanto, ainda buscamos materiais (temos recebido muitos)...


Para Napoleão Bonaparte
Navarra, abril de 1810
Mil, mil ternos agradecimentos por não me haveres esquecido. Meu filho acaba de me trazer tua carta. Com que paixão eu a li e, no entanto, dediquei muito tempo a ela, pois não havia ali uma palavra que não me fizesse chorar. Mas aquelas eram lágrimas tão doces! Torno a sentir meu coração por inteiro, tal como sempre será; alguns sentimentos são a própria vida,e só podem terminar com ela.
Eu estaria desesperada se minha carta do dia 19 te fosse desagradável; não recordo inteiramente suas expressões, mas sei que um sentimento muito doloroso a ditou, a tristeza de não ter notícias tuas.
Escrevi antes de partir de Malmaison; desde então, quantas vezes não desejei escrever para ti! Mas percebi a razão de teu silêncio, e temi que uma carta fosse importuna. A tua foi um bálsamo para mim. Sê feliz, tão feliz quanto mereces ser; falo-te de todo o meu coração. Também me deste minha cota de felicidade, sentida intensamente; nada pode se igualar pra mim ao valor de um sinal de tua lembrança.
Adieu, meu amigo; agradeço-te com a ternura com que sempre te amarei.
Marie-Josèphe-Rose Tascher de Pagerie, chamada de Josefina pelo imperador Napoleão, nasceu em 1763 na Martinica, em rica família de fazendeiros, cujas propriedades foram destruídas por ciclones em 1766. Ela foi para Paris para se casar com um aristocrata francês e salvar as condições da família: com o visconde de Beauharnais. Nasceram dois filhos, Hortense e Eugene, mas o casamento não foi feliz e ela, obtendo uma separação legal, voltou para Martinica, e para Paris em 1790, depois de uma revolta de escravos na ilha. Vivia intensa vida social, entre festas e amores, quando foi aprisionada após o marido ter sido guilhotinado pela revolta jacobina, em 1794. Foi libertada depois da execução de Robespierre um mês depois. Durante o governo provisório conheceu Bonaparte, um jovem e brilhante oficial do exército. Casram-se em março de 1796, e ele partiu em expedição para a Itália. Napoleão lhe escrevia constante e apaixonadamente (cartas que sobreviveram), mas conhece-se poucas cartas de Josefina. Bonaparte queixava-se sempre das extravagâncias, gastos e comportamentos escandalosos de Josefina e quis separar-se em 1799; foi convencido do contrário pelos filhos do primeiro casamento dela.com sucesso militar e político, Napoleão tornou-se imperador em 1804 e corou Josefina como imperatriz. Tudo estava bem: seu filho casado com a filha do rei da Bavária e a filha, com o irmão de Napoleão. Mas Bonaparte queria um herdeiro, e com a impossibilidade de Josefina de oferecer-lhe tal, Napoleão buscou um casamento coma filho do imperador austríaco. Josefina retirou-se para os arredores de Paris, a Malmaison, onde continuou sua vida de festas e amantes, e amiga de Napoleão, que pagava as contas. Ela morreu de pneumonia em 1814; as famílias reais da Holanda, Luxemburgo, Suécia, Bélgica , Grécia e Dinamarca descendem dela. Conta-se que as últimas palavras de Napoleão, morto no exílio na ilha de Santa Helena em 1821, foram: “A França, o exército, Josefina’.

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